Ele convoca todos os seus amigos dirigentes públicos e politicos (directores da administração pública, Presidentes de Câmaras, Vereadores, Deputados Municipais e Nacionais, etc) mas exige que os outros não façam o mesmo.
Este apelo é cínico! Não tem a ver com valores ou qualquer sentido ético, o único objectivo é condicionar o adversário. Se fosse de facto um questão de valores ele teria afastado os seus amigos com funções públicas, nomeadamente os autarcas suportados pelo seu partido. Nada disso acontece. Muito pelo contrário, os desfila com a maior naturalidade, numa clara ostentação do poder que representam.
A questão de base é a utilização do Estado em proveito (ou prejuízo) de alguns. Aqui somos estrutural e fundamentalmente contra. O Estado tem de ser imparcial e tem a obrigação de garantir igualdade de oportunidade a todos. Mas isso não pode significar, com as devidas excepções previstas pela constituição, limitar ou até quartar direitos ou liberdade às pessoas que estão nas instituições. Nem pode significar confundir as pessoas com os cargos, como já aconteceu no passado.
O nosso Estado de Direito garante, por um lado, a separação clara e inequívoca do estado das pessoas; e por outro lado, uma hierarquia de direitos, onde no topo encontramos o direito à participação política. activa e passiva. As pessoas têm o direito fundamental de eleger e de serem eleitos.
Portanto, em Democracia, os dirigentes públicos e politicos têm o direito à participação politica e as pessoas não são os cargos. O que não pode acontecer é utilização do Estado em proveito ou prejuízo politico.
Portanto, estiveram bem os Presidentes de Câmara que têm acompanhado os seus candidatos, da mesma forma que os membros do governo e deputados que apoiam os seus respectivos candidatos, desde que não haja utilização indevida das instituições que representam. Este é o único debate. O resto é cinismo e tactismos politicos.
Bom final de semana e Vota Kalu, a melhor aposta para Cabo Verde.