Em causa, a participação do tio de JHA no programa da RDP África. Hopffer Almada é acusado de “produzir” fake news sobre as eleições em Cabo Verde
Partido liderado por Ulisses Correia e Silva, vencedor das eleições de 18 de abril, mostra “espanto e incredulidade” pelo programa “Debate Africano” da última sexta feira, 7, em que o tio da Presidente do PAICV, derrotada nas urnas, pelos Cabo-verdianos, “veste de forma despudorada, desonesta intelectualmente e desinformada os trajes de um militante do PAICV”.
O MpD acusa José Luís Hopffer Almada, irmão do pai de Janira, e tio desta, de utilizar o referido programa para “difundir” fake news, “deturpar” a verdade eleitoral do País e “manchar” o bom nome de Cabo Verde.
“Nosso questionamento é simples: como é possível que a RDP África permita, sem possibilidade de contraditório, que um convidado que supostamente fala em nome de um País seja tão vigorosamente parcial e ofensivo para com as instituições democráticas do País?” começa por questionar o MpD, para quem JLHA, apesar das suas posições e críticas, não apresentou uma única prova que suportasse análise e conclusões.
“Como é possível que, sem apresentações de provas e fatos, sem contraditório, uma instituição como a RDP África tenha permitido que o comentador José Luís Hopffer Almada, irmão do pai da candidata derrotada, reproduza em antena os mesmos argumentos que o Partido da Oposição tem utilizado para justificar a derrota e enodoar a escolha legitima do povo Cabo-verdiano?”, voltou a questionar o MpD, através de uma nota de protesto e repúdio emitida na última noite pela Secretaria Geral.
Mais adiante, o MpD observa que na sua suposta análise, o tio de JHA “justifica a derrota” do PAICV com uma suposta compra generalizada de votos e de consciência e com uma suposta utilização fraudulenta, pelo Governo, do Cadastro Social Único. “A mensagem clara que ele tentou passar ao mundo inteiro utilizando as antenas da RDP África – não se importando minimamente com a destruição da imagem do País – foi esta: a sobrinha Janira foi roubada, o MpD venceu as eleições com batota e a democracia em Cabo Verde é uma autêntica farsa. O senhor comentador não apresentou em nenhum momento, nenhum facto concreto que fundamente e que prove as suas afirmações”, enfatiza o MpD que observa que a CNE não recebeu nenhuma queixa formal de nenhum Partido concorrente às eleições de 18 de abril contendo denuncias de fraudes e compras de votos ou utilização indevida de meios do Estado; a mesma instituição não recebeu nenhuma queixa formal de nenhum Partido contestando os resultados das eleições; observadores internacionais que presenciaram e observaram como experts as eleições Legislativas de 2021 assinalaram a maturidade democrática do País, a independência dos órgãos que a organizam, nomeadamente a Comissão Nacional de Eleições e a Direção Geral de Apoio ao Processo Eleitoral; o Presidente da Republica recebeu de vários líderes mundiais correspondências oficiais felicitando o País pela transparência e pela vitalidade do processo democrático em Cabo Verde; não se registaram quaisquer incidentes antes, durante e após o processo eleitoral; os resultados foram imediatamente reconhecidos pelos Partidos políticos e pelos atores envolvidos.
“Posto estes factos as perguntas que não se calam são: quais são as reais intenções, quais são as fontes, qual é a credibilidade do Sr. Comentador José Luís Hopffer Almada, que não vive em Cabo Verde, não visita o País há décadas, não tem qualquer relação institucional com os órgãos de soberania nacional e/ou com as instituições públicas de Cabo Verde?
A resposta óbvia. Ficou evidente a parcialidade do mesmo na análise dos factos e das ocorrências em Cabo Verde, apresentou-se como um mero porta-voz do PAICV e da sobrinha que é a candidata derrotada, não escolhida pelo povo Cabo-verdiano nota, admitindo que a presença do tio de JHA no “Debate Africano” na RDP África “faz com que a credibilidade do programa, de tamanha reputação na CPLP, se apresente irreversivelmente manchada e afetada”.
“Quantas outras vezes (o tio de JHA) não terá sido parcial ou influenciado pelo facto de ter ligações familiares e emocionais com o PAICV e com a sua presidente?”, indaga o MpD, para quem os fatos e a realidade “contrariam” as teses do pseudo analista e “deitam por terra” qualquer pretensão do mesmo em se apresentar como um expert sobre os assuntos de Cabo Verde e mais ainda as suas pretensões de representar Cabo Verde no dito programa.
“Acrescenta-se que a liderança do PAICV sabia muito bem que as sondagens encomendadas por esse Partido davam-lhe derrota”, sublinha o MpD, referindo-se em concreto a sondagens de empresas como Pitagóricas e Afrosondagem “encomendadas pelo MpD também apontavam de forma sistemática para a derrota do PAICV, apesar de um estilo de oposição de terra queimada e populista”.
O MpD pontua que “não houve surpresa” nos resultados das eleições de 18 de abril, mas nota que há a lamentar, a postura da liderança do PAICV e de seus “acólitos” como o tio de JHA “que não sabendo perder, disparam contra tudo e todos, incluindo contra alguns dos próprios camaradas do Partido para criarem narrativas de irresponsabilidade política”.
Com o seu protesto, adianta o MpD, o Partido quer “unicamente lavrar formalmente o seu repudio” pela forma como o bom nome de Cabo Verde foi manchado e demarcar-se das leituras feitas pelo pseudo analista por “não representam nem espelham” a maturidade e a inteligência democrática do povo Cabo-verdiano.