Começam uns burburinhos sobre a próxima eleição, onde o povo é chamado ás urnas para escolha do próximo Presidente da República de Cabo Verde.
De facto, dois candidatos se destacam de entre os demais, pelo facto de ambos terem sido Primeiro Ministro do Pais e Presidente dos dois maiores partidos do cenário político nacional. O que me tem causado alguma estranheza, é o facto de que já há posicionamento por parte do MPD maior partido político de cabo verde, tendo em conta as duas ultimas eleições apoiando por uma decisão unanime da sua Comissão Politica Nacional a candidatura do Dr. Carlos Veiga, porem se desconhece á data o posicionamento do Paicv em relação á candidatura do seu ex. presidente José Maria Neves.
Há muito que queria escrever sobre os candidatos à presidência, nada mais justo do que começar por aquele que foi fundamental para que hoje eu tenha essa liberdade, de acordar, decidir escrever e tornar público minhas ideias sem que com isso possa ter consequências mais graves.
Ele é apelidado por muitos como o “Pai da Democracia em Cabo Verde”, pois eu pessoalmente prefiro lhe apelidar de o “Advogado do Povo”, o Dr. Carlos Veiga.
Muito me tem incomodado é o facto de, percecionar algum desconhecimento principalmente dos jovens em relação ao Dr. Carlos veiga e do papel que ele desempenhou em prol desse nosso torão.
Por isso, pelas palavras” tendenciosas” de uma amante da democracia, quero vos falar de quem é Carlos Veiga e o que é que Carlos veiga representa para Cabo Verde e para a nossa Democracia.
Em 21 de Outubro de 1949, Mindelo via nascer aquele que se tornaria um dos maiores defensores da liberdade em Cabo Verde.
Nascera em São vicente, o primeiro de 5 filhos, no seio de uma família humilde, a mãe originária de Santão, modista de profissão, o pai era funcionário aduaneiro da ilha de Santiago.
Embora por imposição do trabalho do pai, tenha vivido entre a ilha de santiago, e do Sal, foi na Cidade da praia que ele deu os seus primeiros passos para o que se tornaria hoje, o Advogado do Povo de Cabo Verde.
Fez a escola primária (Adventista) passando depois pelo Liceu da Praia, atual Liceu Domingos Ramos, posteriormente rumando a lisboa, para frequentar o curso de Direito na Universidade de Lisboa, também inspirado pela busca incessante de justiça, muito herdado do pai. Em 71 termina a licenciatura, onde teve como colegas ilustres figuras de hoje da política Portuguesa, como o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, atual Presidente da República de Portugal.
Terminando a sua licenciatura trabalhou como Jurista no Ministério do Ultramar, cumprindo aí também o serviço militar obrigatório na cidade de Nova lisboa, (huambo) em Angola.
Aquando da independência, estava em Cabo Verde, porém o que se viveu após o 5 de julho, pouco diferenciava do julgo português. Assumindo na altura o Camarada Pedro Pires de que “A democracia representativa e os parlamentarismos europeus não nos servem”, o povo das ilhas estava destinado aos desígnios do Partido/Estado e das suas nefastas consequências, perseguição, torturas e mortes de todos que não seguiam a cartilha imposta.
Carlos Veiga, manteve sempre o seu espírito irreverente e a sua busca pela liberdade e dignidade dos cidadão cabo-verdianos residentes e imigrados, na altura estrangeirados, o que viria a dar frutos.
Com a queda do artigo 4º o país abria-se ao multipartidarismo.
Bravos jovens, dentre eles o candidato Carlos veiga, unidos pelo mesmo sonho, Liberdade e dignidade da pessoa humana, fundam um movimento, MPD, Movimento para a Democracia.
Fugindo aos abusos da polícia política, em reuniões clandestinas, traçavam um novo caminho para o povo das ilhas. Um caminho de liberdade e de democracia.
O povo sofrido, das mordaças, torturas, represálias e mortes, viam no Movimento fundado por Carlos Veiga, como o fim do seu sofrimento, das torturas e das mortes, e de facto tem-no sido desde 91.
Conseguindo duas vitórias estrondosas, as mais expressivas de sempre no contexto político Cabo-verdiano, o povo das ilhas legitimava o Movimento para a Democracia como o maior partido político de Cabo Verde, aquele que de facto os libertaria!
O Dr. Carlos Veiga, liderava o movimento, um jovem corajoso, destemido, comprometido com os valores do mesmo, que se baseiam até hoje na dignidade da pessoa humana e na democracia.
Por isso o meu espanto quando jovens hoje não conhecem não reconhecem e não se revêm no mesmo. Não conhecem ou reconhecem o contributo deste grande senhor para que hoje todos possam sonhar e ter liberdade para perseguir os seus sonhos, para que todos hoje possam enfrentar e criticar o sistema abertamente, para que todos hoje possam criar outros movimentos, fundar outros partidos e viver em democracia.
É este um dos legados deste grande senhor que hoje nos apresenta como candidato a Presidência da República, comprometendo-se a mais uma vez advogar em nome do seu povo, sendo um garante da unidade da Nação e do estado da integridade do território, da independência nacional e vigia e garante da constituição de Cabo verde, constituição esta que me atrevo a dizer converge o seu espírito com a do próprio candidato.
Temos uma dívida para com este grande senhor, eis que agora é chegado o momento de o povo advogar pelo seu Advogado!