MpD assinala 36 anos com debate internacional sobre os desafios da democracia em África

A iniciativa vai contar com a participação de dirigentes políticos, Deputados, Autarcas, representantes da Sociedade civil, entre outros, com o objetivo de contribuir para um debate aberto e orientado para soluções sobre o futuro da democracia em África

O MpD promove no próximo dia 18 de abril, na Cidade da Praia, uma conferência internacional sobre “Democracia em África: eleições, legitimidade e confiança democrática”, reunindo especialistas e decisores para refletir sobre o estado atual dos sistemas democráticos no Continente.

A iniciativa decorre num dos hotéis da Capital e integra o programa comemorativo dos 36 anos da fundação do MpD, atual Partido que governa Cabo Verde.

O encontro deverá juntar responsáveis políticos, académicos e especialistas nacionais e internacionais, num espaço de debate sobre os principais desafios que se colocam à democracia africana.

Segundo a organização, a conferência pretende fomentar uma reflexão “exigente e plural”, num contexto marcado por sinais de fragilidade institucional, diminuição da confiança dos cidadãos e persistência de práticas autoritárias, incluindo golpes de Estado, tanto militares como constitucionais.

O debate parte da premissa de que a realização de eleições, embora fundamental, não é suficiente para garantir a qualidade da democracia. Nesse sentido, serão discutidas questões como o fortalecimento das instituições, o respeito pelas liberdades fundamentais, a independência da justiça e a promoção da boa governação.

O programa está estruturado em dois painéis: o primeiro dedicado aos limites das eleições enquanto único critério de legitimidade democrática e aos riscos de deriva autoritária; e o segundo centrado em soluções para o reforço da democracia, com enfoque na transparência, inclusão social, fortalecimento institucional e criação de oportunidades para a juventude.

O MpD destaca o simbolismo desta conferência no quadro do seu aniversário, sublinhando o papel histórico do Partido na construção e consolidação da democracia em Cabo Verde desde 1991.

A iniciativa vai contar com a participação de dirigentes políticos, Deputados, Autarcas, representantes da Sociedade civil, entre outros, com o objetivo de contribuir para um debate aberto e orientado para soluções sobre o futuro da democracia em África.

Novo Bispo de Santiago chega à Praia a 16 de abril

A cerimónia de tomada de posse está marcada para o dia 2 de maio, no Seminário São José, enquanto a missa de entrada solene será celebrada no dia 3 de maio, no Estádio Nacional

A Diocese de Santiago de Cabo Verde anunciou o programa oficial de acolhimento e entrada em funções de Dom Teodoro Mendes Tavares como novo Bispo de Santiago, com um conjunto de eventos a decorrer entre abril e maio, na Cidade da Praia.

De acordo com o comunicado, a chegada do novo Bispo está marcada para o dia 16 de abril, às 11h30, no Aeroporto Internacional Nelson Mandela.

No dia 30 de abril, realiza-se uma conferência de imprensa no Seminário São José, destinada à apresentação oficial dos principais atos ligados à sua entrada.

A cerimónia de tomada de posse está agendada para o dia 2 de maio, às 10h00, também no Seminário São José, marcando o início do ministério pastoral do novo bispo.

Já no dia 3 de maio, às 10h00, terá lugar a missa de entrada solene no Estádio Nacional de Cabo Verde, que deverá reunir fiéis, autoridades civis e religiosas, numa celebração de grande dimensão.

Jay Brito sai em defesa do SNS e trava narrativa de colapso na saúde cabo-verdiana

Num momento em que o Sistema Nacional de Saúde (SNS) está sob forte pressão pública e exposto a críticas cada vez mais duras, uma das vozes mais respeitadas da ciência em Cabo Verde decidiu intervir no debate

Jay Brito veio a público defender o SNS, recusando a narrativa de descalabro total e apelando a uma análise mais séria, mais racional e mais assente em evidências.

A sua posição ganha relevo não apenas pelo conteúdo, mas sobretudo por quem a assume. Num ambiente marcado por indignação, frustração e acusações severas ao funcionamento da saúde pública, a entrada de Jay Brito na discussão introduz um elemento de ponderação técnica e autoridade moral que dificilmente pode ser ignorado.

No artigo de opinião intitulado *“Em defesa do Sistema Nacional de Saúde (SNS)”*, o cientista reconhece sem rodeios que o sistema enfrenta limitações reais e significativas. Mas rejeita, com igual clareza, a ideia de que o SNS cabo-verdiano esteja em ruína. Para Jay Brito, o problema do debate nacional é que, demasiadas vezes, se constrói mais sobre perceções e emoções do que sobre factos objetivos.

É precisamente aí que assenta o centro da sua argumentação. Em vez de embarcar no ruído fácil ou na tentação do julgamento sumário, o autor chama à mesa os indicadores comparativos e lembra que Cabo Verde continua a apresentar resultados francamente superiores aos de vários países da sub-região, incluindo o Senegal, frequentemente referido nas discussões sobre evacuações e cuidados médicos externos.

Jay Brito lembra que, ao nível dos sistemas públicos, Cabo Verde apresenta melhores resultados em áreas cruciais como mortalidade infantil, mortalidade materna, cobertura de saúde, investimento no setor e esperança média de vida. São números que, no seu entender, desmentem categoricamente a tese de que o SNS seja um fracasso absoluto.

A mensagem é politicamente relevante e socialmente sensível: pode e deve haver crítica, mas a crítica não pode degenerar em caricatura. Ou seja, é legítimo apontar falhas, exigir mais, denunciar insuficiências e cobrar melhor desempenho ao Estado. O que já não será sério, à luz da leitura de Jay Brito, é transformar problemas reais numa narrativa total de colapso, ignorando décadas de progressos sanitários alcançados no país.

O texto também não cai na tentação da defesa acrítica. Pelo contrário, identifica uma das maiores fragilidades do sistema: a insuficiência dos cuidados especializados. Na oncologia, por exemplo, alerta para o facto de muitos diagnósticos ainda ocorrerem tardiamente, quando as opções terapêuticas já são escassas. A defesa do SNS, portanto, não surge como exercício de propaganda, mas como uma defesa exigente — que reconhece conquistas sem esconder atrasos.

Num dos trechos mais fortes do artigo, Jay Brito evoca o passado para lembrar a transformação profunda operada pelo sistema de saúde em Cabo Verde. Ao referir-se às antigas “feiticeiras” e “bruxas” associadas a práticas que custavam vidas de bebés, o autor sublinha o papel civilizacional do SNS, não apenas enquanto estrutura médica, mas enquanto instrumento de modernização social, proteção da infância e afirmação da dignidade humana.

A sua intervenção surge, assim, como um contraponto importante no atual ambiente de fogo cruzado sobre a saúde pública. Num tempo em que muitos preferem os extremos — ou a condenação absoluta ou a negação dos problemas — Jay Brito propõe uma via mais séria: defender o que foi construído, corrigir o que está mal e recusar tanto o alarmismo fácil como a complacência.

A entrada em cena de uma figura desta estatura científica e cívica poderá, por isso, reposicionar o debate. Porque quando uma voz respeitada sai em defesa do SNS, não está apenas a proteger uma instituição: está também a exigir que o país discuta a saúde com mais verdade, mais memória e mais responsabilidade.

Governo aprova Estatuto do pessoal da segurança privada

Com a nova legislação, ficam estabelecidas normas sobre admissão, formação, carreira, disciplina e sanções, bem como condições de trabalho como horários, férias, remuneração, trabalho noturno e aposentação

O Governo aprovou o Estatuto do pessoal da segurança privada, que passa a definir, pela primeira vez, os direitos, deveres, regras de conduta, condições de trabalho e progressão na carreira de vigilantes, supervisores e coordenadores do setor.

O diploma, o Decreto-Lei n.º 21/2026, publicado no Boletim Oficial de 6 de abril, vem complementar a Lei n.º 50/VII/2009, colmatando uma lacuna no enquadramento jurídico da atividade.

Com a nova legislação, ficam estabelecidas normas sobre admissão, formação, carreira, disciplina e sanções, bem como condições de trabalho como horários, férias, remuneração, trabalho noturno e aposentação.

O estatuto também introduz uma estrutura mais organizada de funções e especializações, abrangendo áreas como transporte de valores, portos, aeroportos, recintos de espetáculos e proteção pessoal.

Segundo o Governo, o objetivo é valorizar a profissão, garantir maior proteção social, reforçar a formação contínua e atrair profissionais qualificados para o setor.

O diploma resulta de auscultações a entidades do setor e entrou em vigor no dia seguinte à publicação, produzindo efeitos a partir de 1 de julho de 2026.

TACV retoma ligação direta Praia–Recife a partir de 6 de maio

Segundo a companhia, a rota terá uma frequência semanal, com partidas da Praia às quartas-feiras e de Recife às quintas-feiras, sendo operada por uma aeronave Boeing 737 MAX 8

A companhia aérea Cabo-verdiana Cabo Verde Airlines vai retomar a ligação entre a Praia e Recife a partir de 6 de maio, marcando o regresso das operações regulares de passageiros entre os dois destinos.

Segundo a companhia, a rota terá uma frequência semanal, com partidas da Praia às quartas-feiras e de Recife às quintas-feiras, sendo operada por uma aeronave Boeing 737 MAX 8.

A TACV admite que a frequência poderá ser reforçada para duas ligações semanais ainda este ano, sublinhando que a nova ligação representa um marco estratégico para o País, com impacto no turismo, nos negócios e na conectividade internacional.

A rota visa também reforçar as relações económicas e culturais entre Cabo Verde e o Brasil, além de promover o Arquipélago como destino de stopover e facilitar o acesso a ligações para a Europa e África, através da Praia.

Francisco sabe que, se perder as eleições, pode ir preso

[1] Muita gente estava à espera que Francisco Carvalho renunciasse ao cargo de Presidente da Câmara. Como ele não renunciou e optou apenas pela suspensão, muitos continuam a acreditar que o fez com o objetivo de regressar à presidência da Câmara da Praia, caso perca as eleições de maio.

[2] Essa lógica não está totalmente errada. De facto, pode tratar-se de um movimento bem calculado — mais vale um pássaro na mão do que dois a voar. É um raciocínio simples, que não exige grande esforço mental. Algo tão evidente que qualquer pessoa com algum discernimento consegue perceber.

[3] Mas há um detalhe — porque há sempre um detalhe — que muitos analistas de ocasião parecem convenientemente ignorar: Francisco Carvalho não joga apenas para ganhar eleições; joga também para não perder a liberdade. Porque, sejamos claros, perder eleições pode ser apenas o início de um problema maior. Neste caso, sem a cadeira da Câmara, o cenário pode muito bem deixar de ser político para passar a ser judicial.

[4] Ir para o Parlamento como deputado é, naturalmente, uma saída institucional, mas não compensa do ponto de vista do poder político e financeiro, deixando Francisco Carvalho vulnerável dentro do seu próprio partido. Sem o robusto orçamento municipal da Praia — que ronda os 30 milhões de euros anuais — o salário de deputado não sustenta redes de influência, nem garante lealdades duradouras; e, sem isso, os entusiasmos rapidamente se dissipam.

[5] O cálculo, no fundo, é simples: sem o orçamento municipal e sem o poder que daí advém, Francisco Carvalho tornar-se-ia um ator politicamente fragilizado. Sem o suporte efetivo do PAICV e sem a capacidade financeira associada à Câmara Municipal, ele sabe que o risco de enfrentar consequências judiciais aumenta significativamente.

[6] Por isso, é compreensível que tenha optado pela suspensão do mandato. Desta vez, não se trata de um impulso, mas de uma decisão estratégica. É um cálculo ponderado e necessário para evitar ser politicamente “devorado” dentro do próprio partido.

[7] Francisco Carvalho sabe que há setores do PAICV à espera desse desfecho, assim como há também alguns magistrados que poderão querer fazer dele um exemplo. E, para esses que defendem um Cabo Verde melhor, torna-se cada vez mais evidente que a população começa a perceber o jogo — e a questionar a persistente sensação de impunidade em torno de certas figuras políticas.

Produto Interno Bruto cresce 6,3% em 2025

O crescimento do PIB em 2025 foi impulsionado sobretudo pelos transportes, indústria transformadora e serviços

O Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde cresceu 6,3% em 2025, enquanto no quarto trimestre do ano a economia registou uma variação homóloga positiva de 7,1%, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.

De acordo com o INE, o desempenho do quarto trimestre foi impulsionado principalmente pelas indústrias transformadoras, transportes e armazenagem, atividades financeiras e de seguros, administração pública e educação.

Na ótica da produção, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) aumentou 7,0% em termos homólogos no quarto trimestre de 2025, apesar de uma ligeira desaceleração face ao trimestre anterior.

O crescimento foi também sustentado pelo aumento dos impostos líquidos de subsídios sobre os produtos, que subiram 7,4%. Em contrapartida, a agricultura registou uma quebra de 24,0% e a construção caiu 7,2%, com impacto negativo no crescimento global.

O comércio, os transportes e o alojamento e restauração contribuíram positivamente para a evolução da economia, com destaque para o setor dos transportes e armazenagem, que cresceu 10,0%.

Na ótica da despesa, o crescimento foi impulsionado pelo consumo final e pelas exportações de bens e serviços. O consumo final aumentou 5,8%, com destaque para o consumo público, que subiu 18,8%, enquanto o consumo privado cresceu 1,7%.

O investimento registou igualmente uma evolução positiva de 5,0%, embora inferior ao trimestre anterior, e as exportações aumentaram 5,7%, sobretudo nos serviços.

No conjunto do ano de 2025, o VAB cresceu 5,9% em volume, refletindo o desempenho positivo de vários setores, com destaque para a indústria, transportes, construção e serviços públicos.

Seleção nacional de futsal inicia hoje torneio triangular em Marrocos

Cabo Verde estreia-se hoje frente à anfitriã Marrocos, às 17h00 de Cabo Verde, e volta a entrar em campo no dia 12, diante da Líbia

A Seleção Cabo-verdiana de futsal inicia hoje a sua participação num torneio internacional em Marrocos, defrontando a Seleção anfitriã no jogo de abertura.

A formação nacional volta a entrar em campo no dia 12, para medir forças com a Líbia.

Para esta competição, o Selecionador nacional, Manolo Pagani, convocou 15 jogadores que atuam em diversos campeonatos internacionais, incluindo Portugal, França, Espanha, Polónia e Suíça.

A Seleção de Cabo Verde terá pela frente uma prova exigente, tendo em conta o nível dos adversários. Marrocos lidera atualmente o ranking Africano da modalidade e é uma presença regular nas fases finais do Campeonato do Mundo de Futsal.

Já a Líbia também possui tradição na modalidade, com títulos continentais e participações em mundiais, o que reforça o grau de dificuldade do torneio.

Cabo-verdiano suspeito de tentativa de homicídio extraditado do Senegal

A detenção foi efetuada pelas autoridades Senegalesas, na sequência de uma Notícia Vermelha emitida através da Interpol, a pedido das autoridades judiciais de Cabo Verde

Um cidadão Cabo-verdiano de 33 anos, suspeito da prática de vários crimes graves, foi extraditado do Senegal para Cabo Verde, informou a Procuradoria-Geral da República de Cabo Verde.

Segundo a instituição, o indivíduo está indiciado por dois crimes de homicídio agravado, na forma tentada, além de dois crimes de ameaça, um crime de arma agravado e um crime de tráfico de estupefacientes, todos previstos na legislação penal Cabo-verdiana.

A detenção foi efetuada pelas autoridades Senegalesas, na sequência de uma Notícia Vermelha emitida através da Interpol, a pedido das autoridades judiciais de Cabo Verde.

A extradição foi coordenada pela Procuradoria-Geral da República, através do seu Departamento Central de Cooperação e Direito Comparado, com o apoio do Gabinete Nacional da Interpol, que funciona junto da Polícia Judiciária.

O suspeito deverá ser apresentado nas próximas horas ao Tribunal Judicial da Comarca da Praia para primeiro interrogatório judicial e eventual aplicação de medida de coação. O processo encontra-se em fase de investigação e sob segredo de justiça.

Missão Artemis II enfrenta etapa mais perigosa no regresso à Terra

Após completar o sobrevoo da face oculta da Lua, a cápsula Orion prepara-se para enfrentar temperaturas que podem atingir cerca de 3.000 graus Celsius, enquanto viaja a uma velocidade aproximada de 40 mil km/h. Esta etapa é apontada como uma das mais delicadas, tanto para os astronautas como para o controlo de missão

A missão Artemis II, a primeira tripulada à Lua em mais de 50 anos, regressa esta sexta-feira à Terra, numa fase considerada crítica para o sucesso da operação: a reentrada na atmosfera.

Após completar o sobrevoo da face oculta da Lua, a cápsula Orion prepara-se para enfrentar temperaturas que podem atingir cerca de 3.000 graus Celsius, enquanto viaja a uma velocidade aproximada de 40 mil km/h. Esta etapa é apontada como uma das mais delicadas, tanto para os astronautas como para o controlo de missão.

Antes da descida, a tripulação realiza uma revisão detalhada dos procedimentos, incluindo a trajetória e as condições meteorológicas, com o objetivo de garantir uma entrada segura na atmosfera terrestre.

Um dos principais focos da NASA foi o reforço do escudo térmico da cápsula, após terem sido identificadas fissuras na missão Artemis I. Segundo responsáveis da agência, as melhorias introduzidas permitem encarar esta fase com confiança.

Após a reentrada, a cerca de 6,7 quilómetros de altitude, serão acionados os paraquedas que irão abrandar a cápsula até à amerissagem no oceano Pacífico, ao largo de San Diego.

Depois do resgate, os astronautas serão transportados para o Centro Espacial Johnson, onde serão avaliados e monitorizados.

Apesar da confiança demonstrada pela NASA, os minutos finais da missão continuam a ser determinantes para garantir o regresso seguro da tripulação à Terra.