Há um setor do Paicv que não consegue nunca conviver com a democracia e continua a funcionar ainda alinhado com o célebre artigo 34º da Constituição de 1980, que dispunha que nenhum dos direitos e liberdades e garantia dos cidadãos podiam ser exercido contra as instituições da República e os princípios e objectivos consagrados na Constituição, sendo que um deles era o facto de o Paigc/Paicv ser a força política dirigente da sociedade e do Estado (artigo 4º).
Este sector do Paicv vive em democracia, mas aproveita-se das suas regras e da sua tolerância para minar os seus alicerces, com atos de autêntico terrorismo político, para a degradação das instituições e descredibilização do Estado e do regime democrático. Ou seja, querem a carne da democracia, mas negam os seus ossos. Sim, porque a carne são os direitos, liberdades e garantias, mas os ossos são a observância das leis e a responsabilização política e criminal pelos atos.
Este sector radical e antidemocrático, grande parte dele jovens da velha escola comunista e extremista, tem organizado uns jagunços digitais com a missão de minar a credibilidade do Estado de Direito Democrático em Cabo Verde, enlameando os seus responsáveis com acusações infundadas e absurdas, ao mesmo tempo que subliminarmente promovem ao patamar da pureza e santidade alguns dirigentes do Paicv. Descredibilizar, denegrir, desonrar, mentir, falsificar, enxovalhar, tudo serve desde que se implante a percepção de caos no país!
Hoje nas profundezas do anonimato acusam o Procurador-Geral da República como um servidor do governo, ontem aclamavam-no como herói quando promovia buscas às Camaras Municipais do MpD e quando investigava dirigentes e militantes do MpD. Era aplaudido por toda a bancada paicviana. A busca na CMP e o inquérito à Presidência da República transformaram o herói de ontem em vilão de hoje. Parece que os Altos Dirigentes do Paicv estão acima da lei, a lei é boa quando é aplicada aos outros, mas já é má quando aplicada aos seus dirigentes! Como nos velhos tempos do partido único.
Esta é a velha tática desses terroristas políticos e jagunços digitais: condicionam o exercício das atividades democráticas. Dominam o espaço público mediático, mas continuam a acusar os órgãos de comunicação social do Estado de subserviência ao poder, para adquirirem mais espaços ainda; são nomeados dezenas de militantes e simpatizantes do Paicv para altos cargos públicos, mas acusam o MpD de partidarização da Administração; ganham as eleições por uma larga maioria, mas continuam a lançar suspeitas sobre o MpD de ter recebido financiamentos ilegais e criminosos. Uma velha tática, acusar antes e sempre, acusar e acusar, manter o poder acossado, sob constante pressão e sobretudo emporcalhar tudo, queimar tudo à volta para minar a confiança das pessoas nas instituições e virem surgir depois como salvadores da Pátria. Gente sem moral e sem escrúpulos, empenhada apenas em destruir. Não interessa o país, interessa apenas o poder, seja qual for o custo!
É uma actividade criminosa e perigosa. Gente dessa estirpe, se chegar ao poder, o país corre um sério risco. É evidente que nem todos do Paicv pensam desta maneira, mas infelizmente são esses terroristas da política que estão hoje no comando, de forma clara ou subterrânea. Parece que a velha escola, afinal, até tinha mais pudor e era, por isso, muito mais respeitada. Ao que tudo indica hoje no Paicv predomina a velhacaria!