Sob a luz tênue das velas e o peso simbólico da Sexta-Feira da Paixão, o Santa Padre presidiu, pela primeira vez no seu pontificado, à tradicional Via-Sacra no Vaticano
A celebração, marcada por um tom de recolhimento e apelos à paz num mundo em conflito, reuniu milhares de fiéis na Praça de São Pedro.
A Via-Sacra de ontem assumiu um significado especial por ser a primeira conduzida pelo Papa Leão XIV, eleito recentemente para liderar a Igreja Católica. Num ambiente de profunda contemplação, as catorze estações que recordam o caminho de Jesus Cristo até ao Calvário foram acompanhadas por meditações centradas no sofrimento humano contemporâneo.
Ao longo da celebração, destacou-se a ênfase do novo Pontífice em temas como a reconciliação, a dignidade dos mais vulneráveis e a urgência da paz global. Em várias reflexões, evocaram-se as vítimas de guerras, crises humanitárias e desigualdades sociais, numa clara intenção de aproximar o rito tradicional das realidades atuais.
Milhares de peregrinos e turistas acompanharam o percurso espiritual, muitos deles segurando velas, criando um cenário de forte impacto visual e emocional. A cerimónia decorreu com sobriedade, sem grandes alterações na sua estrutura, mas com um estilo pastoral que já começa a delinear a identidade do atual Papa, um pastor próximo, reflexivo e atento às dores do mundo.
Observadores do Vaticano notam que esta primeira Via-Sacra poderá indicar as prioridades do pontificado de Leão XIV, especialmente no que diz respeito ao papel da Igreja como mediadora de esperança num contexto global instável. A escolha das meditações e o tom das intervenções reforçam a ideia de uma liderança focada no diálogo e na solidariedade.
A celebração encerrou-se em silêncio, com uma oração final que convidou os fiéis a levarem para o quotidiano a mensagem da cruz: a transformação do sofrimento em compromisso concreto com o bem comum.