10 Anos de Apostas: 2016 a 2026, Valeu a Pena?

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Faltam poucos dias para um momento importante para Cabo Verde, para os cabo-verdianos e

para todos os que escolheram as nossas ilhas para viver: as eleições legislativas.

A minha declaração de voto é clara. Tenho estado em campanha, enquanto cidadão, a favor de

Ulisses Correia e Silva e do MPD, no entanto, considero importante fundamentar o meu apoio

com respeito pelas demais candidaturas e sem desmerecer quem pensa diferente.

Nasci na diáspora, filho, sobrinho, neto e bisneto de cabo-verdianos. Há 13 anos regressei

definitivamente a Cabo Verde, à minha terra, com vontade de acrescentar valor e dar o meu

contributo para o desenvolvimento de um país que se constrói com a força de quem cá vive,

mas também com o amor de quem vive fora e nunca deixou de pertencer. Antes de estar na

política, trabalhei no terreno com jovens. Antes de ser Governante, fundei a Geração B-Bright,

colaborei em iniciativas comunitárias com a Associação Maracanã de Ponta d´Água, criei o

primeiro TEDx do país, participei na organização da primeira Cimeira Africana de Inovação,

trabalhei no setor privado como Diretor Executivo da Wansati Communications, trabalhei nas

Nações Unidas e representei Cabo Verde no Mandela Washington Fellowship, nos EUA, o

maior programa mundial de lideres africanos. Por isso, quando falo de juventude, formação,

inovação e empreendedorismo, falo também a partir de experiência pessoal.

As conquistas de Cabo Verde e o seu reconhecimento como uma democracia estável,

respeitada e bem posicionada em África sempre me orgulharam, mas quando regressei,

também sentia que podíamos fazer mais. Tinha contacto diário com jovens cabo-verdianos e

muitos reclamavam mais formação, mais oportunidades, mais aposta na tecnologia fora da

esfera pública e mais apoio para criarem e desenvolverem os seus próprios negócios.

Passaram 10 anos desde que, em 2016, Ulisses Correia e Silva venceu as eleições legislativas

pela primeira vez. Nesse período, há bandeiras que ficaram ainda por levantar, sem dúvida,

contudo há três bandeiras que foram levantadas bem alto: a formação profissional, o

empreendedorismo e a inovação/tecnologia.

Na formação e no empreendedorismo, a mudança é evidente. Passámos de um país onde

muitos jovens tinham de pagar a sua formação profissional, e onde alguns ficavam até com os

certificados retidos por falta de pagamento, para uma realidade em que a formação

profissional passou a ser amplamente apoiada pelo Estado, especialmente para quem mais

precisa. Hoje, o acesso à formação profissional é incomparavelmente mais amplo, mais

descentralizado e mais inclusivo do que era em 2016. Instituições públicas como o IEFP, a

Escola de Hotelaria e Turismo e o CERMI, juntamente com instituições privadas apoiadas pelo

Estado através da DGE/FPEF, levaram capacitação a todas as ilhas e abriram novas portas para

milhares de jovens. Passámos também de um país onde muitos jovens e mulheres tinham

ideias, só que não tinham porta de entrada, financiamento, garantias nem acompanhamento,

para um país onde existe hoje um verdadeiro ecossistema de apoio ao empreendedorismo,

com a Pró Empresa, a PróGarante, a Pró Capital e programas concretos como o Startup Jovem,

o Banco Jovem e Mulheres.

Os dados ajudam a perceber a dimensão desta transformação: mais de 57 mil jovens formados

nos últimos 10 anos, com uma taxa de inserção profissional de cerca de 70%; cerca de 18 mil

jovens apoiados através de estágios profissionais com subsídio mensal assegurado pelo

Governo; mais de 9 mil postos de trabalho criados através dos programas de empreendedorismo; e uma descida muito significativa do desemprego, incluindo entre os

jovens.

Nada disto significa que todos os problemas estejam resolvidos, ainda há jovens à procura de

oportunidades, empresas que precisam de mais apoio e famílias que querem sentir mais

rapidamente os resultados do crescimento, no entanto, seria injusto negar que Cabo Verde

está hoje muito mais preparado, com mais instrumentos e mais respostas do que há 10 anos.

Na inovação e na tecnologia, a mudança também é profunda. Passámos de um país onde se

ouvia falar sobretudo da Governação Eletrónica da NOSi, quase como a única árvore da

floresta, para um país onde a NOSi continuou a ser um braço tecnológico essencial do Estado,

porém passou também a criar condições para que outros pudessem fazer. A NOSi deixou de

ser apenas uma entidade que desenvolve soluções públicas para passar também a ser uma

plataforma de capacitação, interoperabilidade e abertura do mercado GovTech, com iniciativas

como a NOSi Akademia, que formou centenas de jovens, e plataformas como o PDEX e o

IGRPWeb, que permitem criar mais espaço para soluções do setor privado e das nossas

startups.

A aposta na inovação permitiu projetos como o WebLab que introduziu mais de 30.000

crianças às novas tecnologias, o projeto Cidade Segura, que contribuiu para reduzir a

insegurança; o Portal Consular, que facilitou a vida dos cabo-verdianos na diáspora; o NhaCard,

que teve um papel importante durante a pandemia; e o Portal Único Gov.CV, que coloca

serviços do Estado mais perto dos cidadãos. Passámos de um país que queria apenas

informatizar o Estado para um país que quer aproximar o Estado do cidadão, abrir mercado

para startups, formar crianças e jovens, ligar a diáspora, proteger dados, criar confiança digital

e transformar Cabo Verde numa plataforma tecnológica no Atlântico.

Os dados são claros: a internet ilimitada, que custava cerca de 14.200 escudos em 2016, custa

hoje cerca de 4.500 escudos e deverá continuar e estamos a reforçar os acessos públicos à

internet, para quem não pode pagar, com o programa Conectar Cabo Verde; mais de 30 mil

jovens foram capacitados no digital; mais de 400 startups foram criadas; centenas de jovens

fundadores participaram em eventos internacionais como Web Summit Lisboa/Rio, GITEX

Marrocos e Nigéria e The Next Web; Cabo Verde passou a ser reconhecido em rankings

internacionais de ecossistemas de inovação; e foram mobilizados mais de 200 milhões de

dólares para acelerar a agenda digital. Um dos marcos mais importantes desta governação é

também a aposta no Parque Tecnológico, em Santiago e em São Vicente, inaugurado em 2025,

que já emprega centenas de pessoas e posiciona Cabo Verde como uma referência emergente

em África e no Atlântico.

Acredito sinceramente que ainda há muito por fazer. É preciso mais emprego qualificado, mais

escala para as startups, mais ligação entre formação e mercado, mais velocidade na execução

pública e ainda mais resultados concretos na vida das pessoas. Acredito também que esta

geração está hoje mais preparada e, mais do que os números, há uma nova atitude na

juventude cabo-verdiana. Hoje, um jovem sabe que pode procurar formação, criar uma

empresa, entrar no mundo digital, participar em programas internacionais e olhar para o

Estado não apenas como uma instituição distante, mas como um parceiro possível na

construção do seu futuro. Isso não aconteceu por acaso. Resultou de uma orientação política clara: colocar os jovens, a formação, a inovação, o empreendedorismo e a tecnologia no

centro da ação pública.

Por isso, vale a pena voltar a acreditar em Ulisses Correia e Silva e no MPD. Não por achar que

tudo está feito e que não há desafios, mas porque acredito que Ulisses é um líder responsável,

sereno, constante e com visão. Um líder que sabe olhar para o futuro com os pés bem

assentes na terra. Num contexto difícil com diversas crises, Cabo Verde não parou. Pelo

contrário, construiu, formou, inovou, abriu oportunidades e ganhou confiança. É por isso que

acredito que vale a pena continuar este caminho, com exigência, com humildade, com sentido

crítico, contudo também com memória, justiça e reconhecimento pelo que foi feito.

Cabo Verde Nu Bai pa frente, com Ulisses Correia e Silva e com o MPD.

Pedro Lopes, Maio de 2026

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