Faltam poucos dias para um momento importante para Cabo Verde, para os cabo-verdianos e
para todos os que escolheram as nossas ilhas para viver: as eleições legislativas.
A minha declaração de voto é clara. Tenho estado em campanha, enquanto cidadão, a favor de
Ulisses Correia e Silva e do MPD, no entanto, considero importante fundamentar o meu apoio
com respeito pelas demais candidaturas e sem desmerecer quem pensa diferente.
Nasci na diáspora, filho, sobrinho, neto e bisneto de cabo-verdianos. Há 13 anos regressei
definitivamente a Cabo Verde, à minha terra, com vontade de acrescentar valor e dar o meu
contributo para o desenvolvimento de um país que se constrói com a força de quem cá vive,
mas também com o amor de quem vive fora e nunca deixou de pertencer. Antes de estar na
política, trabalhei no terreno com jovens. Antes de ser Governante, fundei a Geração B-Bright,
colaborei em iniciativas comunitárias com a Associação Maracanã de Ponta d´Água, criei o
primeiro TEDx do país, participei na organização da primeira Cimeira Africana de Inovação,
trabalhei no setor privado como Diretor Executivo da Wansati Communications, trabalhei nas
Nações Unidas e representei Cabo Verde no Mandela Washington Fellowship, nos EUA, o
maior programa mundial de lideres africanos. Por isso, quando falo de juventude, formação,
inovação e empreendedorismo, falo também a partir de experiência pessoal.
As conquistas de Cabo Verde e o seu reconhecimento como uma democracia estável,
respeitada e bem posicionada em África sempre me orgulharam, mas quando regressei,
também sentia que podíamos fazer mais. Tinha contacto diário com jovens cabo-verdianos e
muitos reclamavam mais formação, mais oportunidades, mais aposta na tecnologia fora da
esfera pública e mais apoio para criarem e desenvolverem os seus próprios negócios.
Passaram 10 anos desde que, em 2016, Ulisses Correia e Silva venceu as eleições legislativas
pela primeira vez. Nesse período, há bandeiras que ficaram ainda por levantar, sem dúvida,
contudo há três bandeiras que foram levantadas bem alto: a formação profissional, o
empreendedorismo e a inovação/tecnologia.
Na formação e no empreendedorismo, a mudança é evidente. Passámos de um país onde
muitos jovens tinham de pagar a sua formação profissional, e onde alguns ficavam até com os
certificados retidos por falta de pagamento, para uma realidade em que a formação
profissional passou a ser amplamente apoiada pelo Estado, especialmente para quem mais
precisa. Hoje, o acesso à formação profissional é incomparavelmente mais amplo, mais
descentralizado e mais inclusivo do que era em 2016. Instituições públicas como o IEFP, a
Escola de Hotelaria e Turismo e o CERMI, juntamente com instituições privadas apoiadas pelo
Estado através da DGE/FPEF, levaram capacitação a todas as ilhas e abriram novas portas para
milhares de jovens. Passámos também de um país onde muitos jovens e mulheres tinham
ideias, só que não tinham porta de entrada, financiamento, garantias nem acompanhamento,
para um país onde existe hoje um verdadeiro ecossistema de apoio ao empreendedorismo,
com a Pró Empresa, a PróGarante, a Pró Capital e programas concretos como o Startup Jovem,
o Banco Jovem e Mulheres.
Os dados ajudam a perceber a dimensão desta transformação: mais de 57 mil jovens formados
nos últimos 10 anos, com uma taxa de inserção profissional de cerca de 70%; cerca de 18 mil
jovens apoiados através de estágios profissionais com subsídio mensal assegurado pelo
Governo; mais de 9 mil postos de trabalho criados através dos programas de empreendedorismo; e uma descida muito significativa do desemprego, incluindo entre os
jovens.
Nada disto significa que todos os problemas estejam resolvidos, ainda há jovens à procura de
oportunidades, empresas que precisam de mais apoio e famílias que querem sentir mais
rapidamente os resultados do crescimento, no entanto, seria injusto negar que Cabo Verde
está hoje muito mais preparado, com mais instrumentos e mais respostas do que há 10 anos.
Na inovação e na tecnologia, a mudança também é profunda. Passámos de um país onde se
ouvia falar sobretudo da Governação Eletrónica da NOSi, quase como a única árvore da
floresta, para um país onde a NOSi continuou a ser um braço tecnológico essencial do Estado,
porém passou também a criar condições para que outros pudessem fazer. A NOSi deixou de
ser apenas uma entidade que desenvolve soluções públicas para passar também a ser uma
plataforma de capacitação, interoperabilidade e abertura do mercado GovTech, com iniciativas
como a NOSi Akademia, que formou centenas de jovens, e plataformas como o PDEX e o
IGRPWeb, que permitem criar mais espaço para soluções do setor privado e das nossas
startups.
A aposta na inovação permitiu projetos como o WebLab que introduziu mais de 30.000
crianças às novas tecnologias, o projeto Cidade Segura, que contribuiu para reduzir a
insegurança; o Portal Consular, que facilitou a vida dos cabo-verdianos na diáspora; o NhaCard,
que teve um papel importante durante a pandemia; e o Portal Único Gov.CV, que coloca
serviços do Estado mais perto dos cidadãos. Passámos de um país que queria apenas
informatizar o Estado para um país que quer aproximar o Estado do cidadão, abrir mercado
para startups, formar crianças e jovens, ligar a diáspora, proteger dados, criar confiança digital
e transformar Cabo Verde numa plataforma tecnológica no Atlântico.
Os dados são claros: a internet ilimitada, que custava cerca de 14.200 escudos em 2016, custa
hoje cerca de 4.500 escudos e deverá continuar e estamos a reforçar os acessos públicos à
internet, para quem não pode pagar, com o programa Conectar Cabo Verde; mais de 30 mil
jovens foram capacitados no digital; mais de 400 startups foram criadas; centenas de jovens
fundadores participaram em eventos internacionais como Web Summit Lisboa/Rio, GITEX
Marrocos e Nigéria e The Next Web; Cabo Verde passou a ser reconhecido em rankings
internacionais de ecossistemas de inovação; e foram mobilizados mais de 200 milhões de
dólares para acelerar a agenda digital. Um dos marcos mais importantes desta governação é
também a aposta no Parque Tecnológico, em Santiago e em São Vicente, inaugurado em 2025,
que já emprega centenas de pessoas e posiciona Cabo Verde como uma referência emergente
em África e no Atlântico.
Acredito sinceramente que ainda há muito por fazer. É preciso mais emprego qualificado, mais
escala para as startups, mais ligação entre formação e mercado, mais velocidade na execução
pública e ainda mais resultados concretos na vida das pessoas. Acredito também que esta
geração está hoje mais preparada e, mais do que os números, há uma nova atitude na
juventude cabo-verdiana. Hoje, um jovem sabe que pode procurar formação, criar uma
empresa, entrar no mundo digital, participar em programas internacionais e olhar para o
Estado não apenas como uma instituição distante, mas como um parceiro possível na
construção do seu futuro. Isso não aconteceu por acaso. Resultou de uma orientação política clara: colocar os jovens, a formação, a inovação, o empreendedorismo e a tecnologia no
centro da ação pública.
Por isso, vale a pena voltar a acreditar em Ulisses Correia e Silva e no MPD. Não por achar que
tudo está feito e que não há desafios, mas porque acredito que Ulisses é um líder responsável,
sereno, constante e com visão. Um líder que sabe olhar para o futuro com os pés bem
assentes na terra. Num contexto difícil com diversas crises, Cabo Verde não parou. Pelo
contrário, construiu, formou, inovou, abriu oportunidades e ganhou confiança. É por isso que
acredito que vale a pena continuar este caminho, com exigência, com humildade, com sentido
crítico, contudo também com memória, justiça e reconhecimento pelo que foi feito.
Cabo Verde Nu Bai pa frente, com Ulisses Correia e Silva e com o MPD.
Pedro Lopes, Maio de 2026


