O 13 de janeiro de 1991 não é apenas uma data simbólica. É o dia em que o povo de Cabo Verde, pela primeira vez em plena liberdade, escolheu democraticamente o seu destino. Nesse momento histórico, Cabo Verde rompeu com o regime de partido único e afirmou, de forma clara e inequívoca, o pluralismo político, a alternância democrática e a soberania popular.
Foi nesse dia que o povo cabo-verdiano escolheu o Movimento para a Democracia (MPD) como expressão política da liberdade conquistada e como instrumento da transição pacífica para um Estado de Direito democrático. Essa escolha não foi circunstancial: foi consciente, estruturante e fundadora da democracia cabo-verdiana.
Décadas depois, o significado profundo do 13 de Janeiro permanece plenamente atual.
Vivemos tempos exigentes, marcados por instabilidade internacional, fragilização das democracias e pelo ressurgimento de discursos que relativizam a separação de poderes, a autonomia das instituições e o pluralismo político. É precisamente nestes contextos que a memória democrática deixa de ser apenas evocação histórica e passa a ser dever cívico.
Apoiar hoje o MPD e Ulisses Correia e Silva é honrar o espírito do 13 de Janeiro de 1991. É reafirmar a escolha feita pelo povo quando disse não ao pensamento único e sim à liberdade, à democracia constitucional e ao equilíbrio entre os poderes do Estado.
Ulisses Correia e Silva deu provas claras, tanto na governação local como na nacional, de respeito pela Constituição, pela independência do poder judicial, pela autonomia do poder legislativo e pela responsabilidade do poder executivo. A sua liderança assenta na serenidade institucional, no diálogo democrático e na convicção de que governar não é dominar, mas servir.
Em contraste, a atual oposição liderada pelo PAICV, sob a liderança de Francisco Carvalho, revela sinais preocupantes para a saúde da democracia. O fraco desempenho governativo na Cidade da Praia, os conflitos internos recorrentes e, sobretudo, a assunção pública de um “entendimento sólido e de aço” de matriz de partido único não podem ser relativizados nem normalizados.
Esse tipo de visão política é incompatível com a democracia plural conquistada em 1991. Confundir o poder executivo com o judicial ou o legislativo, desvalorizar os mecanismos de controlo democrático e subordinar as instituições à lógica partidária não é uma divergência ideológica legítima — é uma ameaça ao Estado de Direito.
O 13 de Janeiro de 1991 ensina-nos que a democracia não é irreversível. Constrói-se, protege-se e renova-se todos os dias. Cada geração tem a responsabilidade de defender as instituições que herdou, para que a liberdade não se transforme em discurso vazio nem em nostalgia sem conteúdo. Apoiar o MPD e Ulisses Correia e Silva, hoje, é mais do que uma opção política conjuntural. É um ato de fidelidade histórica à data que fundou a nossa democracia, à escolha livre do povo cabo-verdiano e à defesa intransigente do pluralismo, da separação de poderes e da dignidade da política.13 de Janeiro conta.
A liberdade conta.
A democracia conta.
E a escolha consciente do povo continua a contar.


