Recordar 31 de Agosto é reabrir uma das páginas mais sombrias e sanguinárias da nossa história recente. É trazer à memória os dias em que o sonho da independência conquistada em 5 de Julho de 1975, fosse rapidamente adulterada por aqueles que, vindos da mata da Guiné Bissau, arvorassem ser os “melhores filhos da terra”, deixando deste modo atrás de si , um rasto de perseguições, torturas e mortes.
O escritor Onésimo Silveira, sem hesitar deu a estampa a “Tortura em nome do Partido Único, o Paicv e a sua policia política”.
Os primeiros 10 anos de independência foram marcados por um projeto político que se confundia com uma tentativa de afirmação da incompetência. Em vez de consolidar a esperança de um povo, o partido da estrela negra implantou um regime de terror, onde a lei servia apenas de fachada e a justiça continuamente atropelada era um sonho distante.
Prisões arbitrárias, perseguições e até a tentativa de eliminar à própria classe dos advogados foram práticas correntes. Os acontecimentos de 1977, seguidos das detenções e torturas infligidas a cidadãos indefesos , e o trágico episódio da reforma agrária de 31 de Agosto, constituem provas insofismáveis desse clima de brutalidade e repressão do Paigc/cv.
O que deveria ser a libertação de um povo, transformou-se em perseguição de cabo-verdianos contra cabo-verdianos.
Se antes havia a sombra da PIDE colonial, após a independência instaurou-se um sistema ainda mais cruel, com milícias , tribunais populares e polícia política que controlavam e incendiavam a sociedade.
O 31 de Agosto foi o corolário desse tempo negro, onde sobretudo o povo de Santo Antão sentiu, no corpo e na alma , a crueldade dos seus próprios irmãos , matando, torturando, humilhando em nome de uma idiologia estranha, importada e implementada a revelia do seu povo.
Hoje, ao evocarmos essa data, lembramos as vítimas: os que foram mortos, os que foram torturados, os que tiveram a a sua dignidade pisoteada.
Todos os anos, Santo Antão veste-se de luto e chora. E essa memória não é apenas dor é também aviso.
O 31 de Agosto deve permanecer vivo como um farol de consciência histórica, para que as novas gerações compreendam como fomos governados e como fomos torturados. Só assim poderemos garantir que o ERRO nunca mais se repita e que o futuro de Cabo Verde seja constituída nos pilares de liberdade, justiça e respeito pelo cidadão.
O nosso apelo é que o governo envide esforços no sentido de se erigir um monumento em honra as vítimas do 31 de Agosto em Santo Antão.
Sei, que falar de monumentos neste momento é quase uma heresia ou um sacrilégio para muitos e muitos iluminados vão torcer o nariz e, vão usar a bandeira das prioridades e dos custos.
Cada cabeça sua sentença!
Carlos Veiga, num pretérito recente atribuiu a nacionalidade a um guineense, erigiu-lhe uma estátua e deram-lhe o pomposo nome de pai da nacionalidade, como se ele fosse cabo-verdiano e que a nação tivesse sido fundada em 5 de julho de 1975.
Nessa altura houve custos e prioridades?
Para muitos do Paicv e seus satélites disfarçados, os monumentos para terem valor terão que falar da epopeia e da gesta de uma pseuda luta que Cabo Verde nunca teve.
Santo Antão, também terá o seu monumento ao 31 de Agosto e estaremos à espera que um tal FC venha nos acenar com o regresso dos melicianos e os tribunais populares.
31 de Agosto sempre nas nossas memórias!



Congratulo-me que o Governo/Câmaras Municipais de Santo Antão ergue/erguem um monumento em honra às vítimas do 31 de Agosto de 1981.
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