51 anos de independência: uma seleção que honrou a bandeira e fez o mundo respeitar Cabo Verde

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Há datas que ganham um significado ainda mais profundo quando a história decide cruzar os seus caminhos. Neste domingo, em que Cabo Verde celebra 51 anos de independência, o país tem mais um motivo para erguer a cabeça, celebrar a sua identidade e orgulhar-se do seu povo. A extraordinária campanha da nossa seleção de futebol na sua primeira participação de sempre numa Copa do Mundo foi uma verdadeira homenagem ao espírito da independência conquistada a 5 de julho de 1975.

Que independência é esta? É a independência da coragem, da superação, da capacidade de desafiar o impossível e de provar que um (chamado) pequeno país pode ombrear com as maiores potências do futebol mundial.

Os Tubarões Azuis não foram ao Mundial fazer turismo. Foram competir. Foram jogar futebol. E fizeram-no com uma personalidade que conquistou o respeito dos adversários, dos analistas e dos amantes da modalidade.

Na fase de grupos, Cabo Verde protagonizou uma campanha memorável diante de três seleções de enorme tradição: Espanha, Uruguai e Arábia Saudita. Resultados que demonstraram organização, qualidade, disciplina tática e uma confiança que nunca vacilou perante camisolas mais pesadas.

E quando o destino colocou pela frente a Argentina, campeã mundial em título, nos 16 avos de final, na passada sexta-feira, 3 de julho, os comandados de Bubista voltaram a mostrar que pertenciam àquele palco. Jogaram olhos nos olhos, sem receios, discutindo cada lance e cada metro do relvado com uma entrega irrepreensível.

É precisamente nesse encontro que fica uma nota que não pode ser ignorada. Sem retirar mérito ao adversário, fica a convicção de que a arbitragem acabou por ter influência direta no desfecho da partida. Cabo Verde podia perder na mesma. Faz parte do futebol. Mas gostaríamos que isso tivesse acontecido de forma limpa, sem decisões polémicas e sem a sensação de que algumas intervenções da equipa de arbitragem acabaram por condicionar o rumo do jogo.

A história desta partida não foi escrita por um único nome. Lionel Messi não foi a estrela do encontro. As grandes estrelas estiveram todas do lado de Cabo Verde. Todos, absolutamente todos os jogadores cabo-verdianos foram gigantes. Cada um deles escreveu uma página inesquecível da história do nosso futebol.

Os comandados de Bubista foram irrepreensíveis. Competiram com alma, inteligência, qualidade e uma entrega que ficará para sempre gravada na memória coletiva dos cabo-verdianos.

Também os golos ficarão eternizados. Kevin de Pina marcou o primeiro golo de sempre de Cabo Verde numa Copa do Mundo, entrando para a história do desporto nacional. Depois vieram os golos de Hélio Varela, Deroy Duarte e Sidny Lopes Cabral, este, autor daquele que, para nós, é até ao momento o golo deste mundial de futebol. Quatro momentos que provaram ao mundo que Cabo Verde tem talento, tem qualidade e tem futuro.

Esta seleção despede-se da sua primeira Copa de cabeça erguida. E por muito pouco não provocou um verdadeiro terramoto futebolístico, daqueles que fariam a própria FIFA estremecer perante uma das maiores surpresas da história recente da competição.
Mais importante do que os resultados, esta equipa conquistou algo que nenhum troféu compra: o respeito do mundo. Demonstrou que Cabo Verde já não é apenas uma promessa do futebol africano; é uma realidade que merece ser levada a sério.

No ano em que celebramos 51 anos de independência, esta geração ofereceu-nos uma nova razão para acreditar no país. Tal como os heróis da independência desafiaram o impossível para construir uma nação livre, esta equipa liderada por Bubista mostrou que também no desporto a grandeza não se mede pela dimensão territorial nem pela população, mas pela coragem, pela competência e pela capacidade de nunca deixar de acreditar.

Obrigado, Bubista.

Obrigado, Tubarões Azuis.

Vocês fizeram mais do que disputar um Mundial.

Fizeram um país inteiro sentir-se ainda mais independente, mais respeitado e infinitamente mais orgulhoso de ser cabo-verdiano.

Parabéns a todos.

Viva o 5 de Julho.

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