A calúnia mata três vezes

Existe um provérbio antigo judaico que diz o seguinte: “O caluniador arruína três pessoas: a si próprio, o ouvinte e o caluniado”. Ao deparar-me com os últimos comunicados de imprensa e as intervenções fervorosas de certos elementos da oposição, não pude deixar de me ater a essa sábia máxima. Com efeito, aquele que se dedica à calúnia diz mais sobre si próprio, do que sobre o alvo da sua difamação.

Compreendo que seja difícil para alguns aceitar o reconhecimento internacional que Cabo Verde tem alcançado, fruto do árduo trabalho levado a cabo pelo governo. A Conferência Internacional “Liberdade, Democracia e Boa Governança: Um olhar a Partir de Cabo Verde” que culminou na adoção da “Declaração da ilha do Sal” transformou-se no tema predileto da oposição. Consigo perceber o desconforto de uma certa franja da sociedade, aceitar um evento cujo tema central é precisamente a democracia e exemplos de boa governança.

Assim, convido-vos a refletir comigo: devemos partilhar as boas práticas? Eis a questão crucial. Qualquer iniciativa ou evento dos últimos tempos é prontamente rotulado de propaganda eleitoral, ignorando-se que a apresentação de resultados pressupõe, por si só, trabalho árduo e comprometido. Ficam incomodados com a reunião de especialistas e conferencistas, durante dois dias, para debater temas fulcrais ao funcionamento das instituições democráticas e que dão mostras públicas do trabalho que tem sido realizado, no entanto, não se afligem perante as evidências públicas dos seus fracassos.

O poder local tem sido a pedra angular para o desenvolvimento e a participação política em Cabo Verde. Esta aposta na descentralização é essencial para garantir que todas as vozes sejam ouvidas, e que todas as comunidades se sintam representadas. Com o MpD, temos testemunhado um compromisso real com o desenvolvimento local, com iniciativas concretas que têm impacto significativo na vida das pessoas.

Tomemos o Município de São Miguel como exemplo, que subiu oito posições no Índice de Coesão Territorial no último ano. Este índice é uma ferramenta fundamental para compreender o desenvolvimento económico, social e geográfico de cada município do país, sendo um forte indicador dos níveis de desenvolvimento e das disparidades ou coesão territorial. No caso de São Miguel, os dados dos últimos Censos (2021) são reveladores do impacto das políticas locais lideradas por Herménio Fernandes. A existência de infraestruturas básicas, como água canalizada, instalações sanitárias ou eletricidade, subiu nos alojamentos familiares. Isto significa que muitas famílias passaram a ter condições condignas na sua habitação. Quando falamos num aumento de 40% relativamente a 2010, na presença de eletricidade nestas habitações, devemos recordar o que isto significa para os moradores deste concelho. Ao olhar para uma taxa de desemprego de 6,3% devemos ter presente o impacto real na vida destes cidadãos das políticas locais de combate ao desemprego, sobretudo junto dos jovens. Num município em que a maioria da sua população vive no meio rural, criar condições de fixação para os jovens e as suas famílias implica forçosamente uma estratégia social e económica voltada para o futuro. Em 2018, este município tinha 63 empresas ativas, passados três anos, o número de empresas já ascendia a 251, aumentando muito o volume de negócios e os benefícios diretos e indiretos para aquela comunidade.

Portanto, um município que tem crescido nos principais indicadores de desenvolvimento pode ser considerado um exemplo em políticas públicas e boa governança. Considerar estes casos como ponto de partida não é mera propaganda; é reconhecer o que está a ser bem feito e tentar replicá-lo.

A crítica fácil da oposição não se dirige apenas às políticas, concentra-se, sobretudo, em destruir os rostos responsáveis pela mudança, o que se reflete na qualidade da nossa democracia.

Perde a oposição que demonstra colocar os interesses próprios do seu partido à frente de tudo. Perdem aqueles que são difamados e têm as suas vidas escrutinadas por razões mesquinhas. E, acima de tudo, Cabo Verde perde. Devido a uma oposição frívola e irresponsável, vemo-nos discutidos internacionalmente pelos motivos errados, minando o reconhecimento legítimo que merecemos.

 

 

 



1 COMENTÁRIO

  1. Houve um comentarista da praça que disse, que nos Países Asiáticos , onde têm muito dinheiro, pagam-se aos grandes intelectuais mundiais, para falarem bem dos seus países e foi este que o Mpd quis fazer, na ótica deste comentarista.

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