O presidente da República falou muito tarde, mas falou!
Fez meia culpa, mas não tirou as consequências políticas dos seus atos, antes quis partilhar as suas responsabilidades com outros atores políticos!
A situação é inédita e complexa, pois o PR assumiu o confronto, o combate político na primeira pessoa!
Assumindo o combate político e, chamando indiretamente outros atores para a arena, mais concretamente o Governo, o PR entra numa situação muito difícil, isto é, fica sem a possibilidade de exercer o papel de árbitro e moderador do sistema!
Caso para dizer que estamos em presença de um presidente “funcional”, portanto sem condições para exercer a sua magistratura moral e política acima do jogo político-partidário!
É parte direta e pessoal do conflito, o que a solidariedade política, bem como os apoios dos seus amigos e familiares, não conseguem blinda-lo perante a opinião pública e os seus adversários políticos!
Não interessa ao Presidente e ao País o prolongamento desta crise política e institucional e, fica cada vez mais difícil a sua sustentabilidade política como o mais Alto Magistrado da Nação!
Parece que todos os argumentos e contra-argumentos, a partir da comunicação do presidente da república não passarão de repetições e redundâncias, porque não mudam a natureza da crise: o presidente violou a Constituição e a lei, pelo que o problema político de fundo subsiste: o presidente da república não está em condições políticas de cumprir com uma das suas principais funções: ser guardião da Constituição e das leis e garante da unidade da Nação.
Há opiniões divergentes quanto ao posicionamento do Chefe do Governo. Se deve ir para a arena ou manter-se focado no exercício das funções executivas!
Pessoalmente defendo que o Primeiro Ministro não deve entrar em confronto direto com o Presidente da República por razões que tem a ver com o seu papel central e insubstituível na governação do País e, da sua conduta política depende a estabilidade ou a instabilidade governativa!
O país exige serenidade e o apaziguamento político e institucional.
Espero dos nossos representantes políticos a resolução desta crise, que nos faria mais resilientes no enfrentamento de outras crises que fazem parte do processo político!


