O grande problema de JMN é simples – e crónico: tudo aquilo que ele defende hoje, tudo o que apresenta como moral, correcto ou exemplar, ou que deve ser feito, é precisamente o contrário daquilo que ele próprio fez no passado. Mas, JMN sabe disso e vai-se navegando até onde pode. A outra questão é que ele fala demais e entra em polêmicas, que qualquer Presidente da República com um pouco de bom senso evitaria.
Isto, para um político, é devastador.
Passará a vida inteira prisioneiro das suas próprias contradições.
Foi por isso – e por muito mais – que desde o início percebi que a Presidência da República de JMN não podia dar certo. Não havia como! É que um bom Presidente da República é aquele que constrói pontes e não agita fogueiras! Ele fala de tudo, até de um simples processo disciplinar numa instituição do Estado!
Conhecendo-lhe o carácter, a trajetória, os apetites e as birras, as suas frustrações e rancores, bastava observar os primeiros sinais.
E quando surgiram os crimes do 310, tudo ficou claro: JMN acabou.
Mesmo que venha a vencer um milhão de eleições no futuro, ele acabou.
O legado ficou manchado, lacrado, irreversível.
Ele vive hoje num auto-cerco do qual nunca mais sairá – por mais truques, encenações, acrobacias ou vitórias que tente colecionar.
O que ele fez é único na nossa história – e irreparável. É uma nódoa grande, visível, no lençol branco da República!
Acabou, José.


