A expressiva vitória dos democratas nas eleições de ontem nos Estados Unidos permite uma reflexão: o voto também serve para limitar o poder, corrigir excessos e restabelecer equilíbrios. Com a conquista do Congresso, os democratas reforçam o contrapeso à Presidência republicana. Nenhum poder deve sentir-se acima da fiscalização dos cidadãos.
As vitórias históricas de mulheres nestas eleições merecem igualmente destaque. A participação feminina, nas urnas e nos lugares de decisão, é essencial para uma democracia mais representativa. As mulheres devem participar plenamente na definição dos destinos dos seus países.
Em Cabo Verde, onde votaremos para Presidente da República no próximo dia 15 de novembro, esta reflexão tem particular relevância. O PAICV reúne o Governo, a maioria parlamentar e a liderança da maioria das câmaras municipais. É legítimo defender que a Presidência constitua um espaço de independência e equilíbrio perante essa concentração de poder.
Por isso, defendo a escolha de uma personalidade fora da area do PAICV, com capacidade para representar todos os cabo-verdianos, fiscalizar com serenidade e exercer as suas funções sem dependências partidárias. A independência deve demonstrar-se no carácter, no percurso e na coragem de decidir.
A Administração Pública deve servir os cidadãos, valorizar o mérito e garantir igualdade de tratamento. A lealdade ao Estado não pode confundir-se com fidelidade a um partido.
Não colocar todos os ovos no mesmo cesto é uma regra de prudência democrática — válida para qualquer partido. Cabo Verde precisa de moderação, pluralismo e instituições capazes de se equilibrarem.
No dia 15, votemos com liberdade e consciência. O país está acima dos partidos, e o poder pertence aos cidadãos.





