A derrota de um Partido antissistema (PAICV) e a vitória das Instituições Democráticas

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Os resultados definitivos foram anunciados pela CNE: viva a nossa democracia, viva Cabo Verde.

Como é que o PAICV fundado por Aristides Pereira, Pedro Pires e camaradas se transformou num partido antissistema? Ainda não há respostas claras, mas muitas são as pistas para uma análise futura. Por agora apenas de assinalar que pela primeira vez na história da democracia cabo-verdiana um partido político ensaiou não reconhecer os resultados eleitorais anunciados pela Comissão Nacional das eleições. Muitos dirão: “ah mas Janira reconheceu a derrota na noite eleitoral!”. Janira tem duas caras, na noite eleitoral reconhece a derrota, mas por detrás incita os seus militantes a criar ruido e a levantar dúvidas. Lembram-se? Janira tem duas caras: publicamente anuncia o seu pedido de demissão, mas por detrás incita os seus apoiantes a criarem uma onda para que fique”. Identificam esses factos?

Durante cinco anos a liderança do PAICV, derrotada nas eleições de 18 de Abril, tudo tentou para descredibilizar o primeiro ministro Ulisses Correia e Silva e o Governo, tudo tentou para fazer da casa parlamentar uma instituição banal e sem utilidade, em defesa do mais famoso detido estrangeiro em Cabo Verde, questionou publicamente as decisões dos tribunais colocando em risco a independência dos tribunais em nome de interesses financeiros, esteve ausente do combate à pandemia num momento em que o país mais precisou de um oposição responsável, tal como os negacionistas mundiais questionou a eficiência das vacinas quando estas chegaram a Cabo Verde, promoveu e financiou um vasta rede de fake news online alimentando trolls e figuras reais controversas para fomentar o caos, não se coibiu de atacar figuras como o Cardeal D. Arlindo ou de levantar suspeitas sobres os grandes empresários cabo-verdianos, criou e cavalgou em narrativas que aprofundam o fosso entre “nós o povo” e “eles os políticos”, “nós os pobres” eles os “empresários”, investiu uma fortuna nas redes sociais para espalhar fake news e desinformar a nossa diáspora, patrocinou teorias da conspiração sobre todos os dossiers relevantes do país: TACV, Transportes inter ilhas, privatizações, vacinação, concursos públicos, verbas do orçamento do estado, evacuações médicas, equipamentos de hospitais entre muitos outros. Ficou em silêncio quando a rede informática do estado foi atacada e durante semanas as instituições estiveram bloqueadas. Em suma, colocou internacionalmente em causa o bom nome de Cabo Verde com o único intuito de ganhar o poder. Porque perdeu as eleições o PAICV coloca agora em causa a credibilidade da Comissão Nacional de Eleições e do NOSI por pura e simples demagogia e inexistência de cultura democrática.

Como é que o PAICV fundado por Aristides Pereira, Pedro Pires e camaradas se transformou num partido antissistema na era da democracia? Quando irão se despertar desse sono profundo os verdadeiros fundadores e militantes para resgatar o partido? Não há respostas, há um silêncio constrangedor. Muitos que “riba de hora” foram convencidos a dar o apoio ao PAICV de Janira hoje sabem que foram enganados por uma suposta “onda de vitória” que apenas existiu numa “bolha de internet”. Na sua mais profunda consciência sabem que foram traídos pela vaidade de fazerem parte de uma onda que na realidade nunca existiu.

As sondagens estão aí para provar que o MpD há muito estava à frente nas intenções de voto e que Ulisses Correia e Silva sempre liderou na escolha dos cabo-verdianos.

De forma arrogante e prepotente, para o PAICV liderado por Janira o único resultado aceitável e que voltaria a credibilizar as instituições do estado seria a vitória. Diz-se a voz do povo, quer falar “em nome” do povo, mas não aceita a vontade expressa nas urnas que é na verdade a vontade do povo. Arrogantemente ergue-se contra a própria vontade do povo porque o povo nas urnas não o escolheu. O povo cedo soube que “Cabo Verde para todos” mais não era que uma farsa para que uma pequena elite tomasse de assalto o poder nas ilhas. Contudo Cabo Verde é e provou ser um farol democrático no Mundo. As instituições funcionam, a democracia e a vontade do povo não serão subvertidas perante a ambição desmedida de um grupo que tomou de assalto um partido histórico e, esperamos momentaneamente, está a ser gerido com as práticas mais atrozes dos partidos de extrema, populistas, que assaltaram alguns países do mundo graças a um conjunto de manobras que o MpD sabiamente soube antecipar, combater e derrubar.

Agora sim: Obrigado Cabo Verde! O povo falou e falou expressivamente contra um partido que se tornou ainda mais antissistema e antipatriótico porque profundamente antidemocrático. Viva Cabo Verde, viva a democracia, viva a liberdade!

6 COMENTÁRIOS

  1. Tudo dito e bem dito. Só acrescento que o MPD não deve descuidar porque esses cristãos novos são, de longe, piores do que os leões do mato!

  2. A Janira, que de facto lidera o movimento “ JHA para continuar “, juntamente com o seu tio Nhonho Hopffer e outros familiares, colocou o PAICV numa situação muito delicada . E’ que hoje está mais do que evidente, que existe muita desinformação e ignorância no seio dos militantes do Partido que tem permitido a cavalgada desta traiçoeira senhora, carente de princípios e valores e que para blindar uma liderança conseguida no meio de muita trafulhice, como reconhece José Maria Veiga e outros actores desse feito, continuou sacrificando a normalidade democrática interna que, para ser desmontada, muita roupa sujíssima teria de ser lavada na praça pública, com consequências nefastas para a regeneração do Partido.
    Veremos se Homens e Mulheres Grandes do PAICV e de Cabo Verde entrarão em cena para estancar o ímpeto distrutivo da Janira, que chegou em 2009 ao Partido, de pára-quedas, e que desde 2015 não deixa o P AICV respirar por vias normais.

  3. O pior é que mesmo deste desastre eleitoral o PAICV de Janira não quer saber de lições a tirar. Leiam os mais recentes artigos que continuam a lançar suspeições, a difamar, a conspurcar o governo de Ulisses. O PAICV acabou. A menos que apareça um “salvador”. Mas quem? E vai trabalhar com quem e com quê?

  4. Caro Abrão, na década de 90, surgiu uma corrente de pensamento que estudava os estranhos hábitos do Paicv e defendia que “a normalidade democrática” em Cabo Verde não estava assegurada, somente com a realização de eleições livres, mas e sobretudo, só seria possível sem “esse” Paicv. O autor deste comentário fez parte daquela corrente de pensamento, no que maldosamente visto e conotado como “ostracismo” e “perseguição”. De resto, como mostra o José Tomás Veiga no seu recente livro, os episódios de 1977 e 1979 deixavam claros que o Paicv sempre foi um sério obstáculo ao desenvolvimento de uma sociedade sadia. De resto, o próprio Renato Cardoso o havia dito, quando questionado em audiência por Aristides Pereira, porque razão as reformas administrativas não avançavam. Não tardou muito para Pedro Pires ser “eleito” PR em plena democracia, por uma diferença de 12 votos de “mortos, doentes acamados, ausentes nas ilhas e no estrangeiro” como viria a ser conformados por um tribunal de Barlavento.

  5. Camaradas reais, homens e mulheres da esquerda populista, resgatem por favor o paicv.
    O movimento Cabo Verde para todos (alguns) vaticinavam um resgate ao país. Não se sabe de quem nem de o quê!
    QUEM PRECISA SER RESGATADO É O PAICV.

  6. Mesmo não apresentando uma única reclamação nas mesas de votos e no apuramento geral na CNE, o Paicv ainda não admitiu a DERROTA que lhe imposta a nível nacional pelo MPD e em São Vicente pela Ucid. Ao invés, resolve lançar lama (seu habitat natural) sobre o processo, dizendo que a CNE “desconsiderou 49 mil votos que seriam dele (o Paicv), no processo de atribuição de mandatos. Logo, o Paicv não perdeu as eleições. É um Paicv igual a si próprio, igual a uma quadrilha de malfeitores.

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