As imagens falam por si. O que deveria ser um espaço de promoção do desporto, da inclusão social e da formação de crianças e jovens transformou-se num retrato cru do abandono. Campos de futebol em avançado estado de degradação, relvados sintéticos gastos até ao limite, pisos irregulares, buracos, redes rasgadas e ausência de condições mínimas de segurança. Este é o cenário atual de vários equipamentos desportivos da cidade da Praia.

O mais grave é que, apesar deste quadro alarmante, os campos continuam a ser utilizados diariamente por dezenas de crianças e jovens. Meninos que jogam, treinam e competem, pasme-se promovido pela própria CMP, em condições indignas, expondo-se a quedas, lesões e riscos evitáveis. Em vez de espaços de desenvolvimento saudável, estes campos tornaram-se potenciais focos de acidentes.
O desporto de base, tantas vezes invocado em discursos políticos como ferramenta de prevenção da delinquência juvenil, de promoção da cidadania e de combate às desigualdades sociais, parece não merecer prioridade quando se passa das palavras aos atos. A realidade no terreno revela um desmazelo persistente e um descaso institucional que já não pode ser ignorado.
É inevitável questionar: onde está a política de manutenção preventiva das infraestruturas desportivas? Onde estão os investimentos prometidos para o desporto comunitário? Como pode a Câmara Municipal da Praia permitir que equipamentos públicos cheguem a este estado de degradação sem uma intervenção atempada?
A capital do país não pode normalizar o abandono. Não pode aceitar que crianças levantem troféus em campos destruídos, nem que treinadores improvisem soluções onde deveria existir gestão pública responsável. A degradação dos campos é também a degradação das oportunidades, dos sonhos e da esperança de muitos jovens praienses.
Mais do que remendos pontuais ou promessas de ocasião, exige-se medidas sérias, transparente e urgente de requalificação e manutenção das infraestruturas desportivas municipais. O desporto não é um luxo. É um investimento social, educativo e humano.
Enquanto nada é feito, as imagens continuam a denunciar aquilo que os discursos tentam esconder: o abandono do desporto de base na cidade da Praia.


