A Luz e as estatísticas

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Famílias e empresas exprimiram, de diferentes formas, o seu descontentamento e insatisfação perante as falhas no fornecimento regular da energia elétrica na ilha de Santiago e, mais particularmente, na cidade da Praia, que marcaram as últimas semanas. Foram falhas graves que causaram prejuízos aos cidadãos e dificultaram os negócios, o que preocupa também o governo, certamente.

É claro que daí ao coro de teses convenientes gritadas aos quatro cantos do mundo que Cabo Verde “não tem luz” vai um mundo de distância. Explicou-se bastas vezes que na ilha de Santiago existe potencia instalada superior às necessidades de consumo, mas que houve avarias graves, ou incidentes, numa outra perspetiva, concentrados num tempo muito curto e que causaram alguma estranheza, tendo sido mobilizados recursos para o mais rapidamente possível apurar as causas subjacentes e proceder à reposição da normalidade.

Aí está: a normalidade. A tese maliciosa (obviamente que não falo de críticas ou de manifestações de cidadãos, sempre legítimas em democracia) quis passar a irrealista e tendenciosa mensagem que não ter eletricidade na rede é a normalidade na Cidade da Praia. Posso até imaginar a iridescente alegria de uns tantos com o perdurar da quebra no fornecimento, pois ali podia estar a galinha de ovos de ouro, o fator que faltava para o grande salto numa outra direção. Muitos nem sabem o que lhes poderá sair nessa rifa comprada com tanto entusiasmo. Às vezes abrimos a portinhola convencidos que metemos a cabeça na brisa fresca que de outro lado sopra e acabamos a final por meter a cabeça no fogão.

Veio a luz (com pequenos sobressaltos, ainda, é certo, mas que inspira confiança na continuidade). Para uns tantos, acabou a festa, chegou a tristeza. Para muitos veio a alegria de ter sido reposta a normalidade. Para agravar a tristeza, vieram os visitantes periodicamente esperados – as estatísticas do mercado de trabalho, para tirar a prova dos nove:

No 1º semestre de 2025, a população ativa foi estimada em 228.139 indivíduos, registando um AUMENTO DE 5,7% face ao mesmo período de 2024 (noticia que desagrada os autores da tese do “abandono em massa”). A taxa de atividade situou-se em 60,9%, SUPERIOR EM 2,7 pontos percentuais (p.p.) relativamente ao ano anterior.

A população empregada totalizou 211.015 indivíduos, refletindo UM CRESCIMENTO DE 7,3% em relação ao 1º semestre de 2024 (outra notícia que desagrada os autores da tese que a taxa de desemprego tem diminuído pelo “abandono em massa”). A taxa de emprego alcançou 56,3%, SUPERIOR EM 3,3 P.P. face ao período homólogo.

A população desempregada foi estimada em 17.123 indivíduos, registando uma REDUÇÃO DE 10,1% comparativamente ao mesmo período de 2024 (notícia que, pelas razões supra, desagrada os autores supra). A TAXA DE DESEMPREGO SITUOU-SE EM 7,5%, INFERIOR EM 1,3 P.P. relativamente ao ano anterior. Vale a pena repetir para realçar este feito: CV TEM UMA TAXA HISTÓRICA DE DESEMPREGO MAIS BAIXO DE SEMPRE – 7,5%.

Isto é economia, emprego e rendimento numa marcha consistente com passadas largas em direção ao futuro. Com a constante “sem luz” (tão propalada muitas vezes por uns poucos) seria manifestamente impossível. Cresce a economia e cresce o emprego, de forma sustentada! E é isso que contraria aqueles que insistem em catar incidentes aqui e acolá para basear convenientes teorias de caos total e incompetência geral, desprezando a realidade dos números que mesmo assim teimam em entrar pelos seus olhos adentro.

3 COMENTÁRIOS

  1. Realmente a turma do ” luz Dja bai” está a ficar sem assunto com a estabilidade desde 6a feira. Mas continuam a fazer festa com cortes de 20mn. Em relação á manifestação os promotores têm tudo para serem activistas e entrar na política mas infelizmente o jovem deu um tiro no pé quando criticou o salário e muitas viagens dos ministros. Convenhamos, ele foi sempre privilegiado graças aos bons salários e influências dos papás!!! Em relação à senhora, excelente analista, mas ela parece que sente uma necessidade permanente de agredir, humilhar, desvalorizar os outros, ela é muito amarga.E ontem desapontou muita gente com a linguagem rasca no fim do discurso, Será que quer igualar ao Xtico? Precisa de uma longa terapia e umas boas massagens de relaxamento.

  2. Prezado Dr. Eurico, as estatísticas de população ativa e de população empregada são de Ilha de Santiago ou de Cabo Verde enteiro? Considerando que os empregos não estão igualmente distribuídos pelas ilhas, será justo dizer que a taxa de desemprego em algumas ilhas seria provavelmente muito superior à média de todo o país?

  3. Se o próprio Presidente da República não é um exemplo de ética na gestão da coisa pública, o que podemos esperar dos simples trabalhadores com salário mínimo? A verdadeira transformação que Cabo Verde necessita passa pela mudança de mentalidade e de comportamento dos seus cidadãos, desde os alunos do ensino primário, funcionários publicos, os manifestantes, até ao Primeiro-Ministro e ao Presidente da República.O país só poderá mudar no dia em que os governantes demonstrarem a coragem de ser rigorosos e de tomar medidas sérias e drásticas contra todos os que agem de forma irresponsável: incompetentes,corruptos, sabotadores, mentirosos, caloteiros, agressores, pixingueiros entre outros.O rigor e a ética devem ser exigidos a todos, desde o pessoal do saneamento até ao Presidente da República. Enquanto os 2 partidos continuarem a promover indivíduos sem ética, sem moral, sem postura, sem noção como Líderes, nada mudará.
    No contexto atual, com Francisco Carvalho, o PAICV não será jamais uma alternativa para governo. Convenhamos: não se pode esperar muito de um líder que promove a irresponsabilidade e o subsistencialismo, que desrespeita as leis da Nação, que não tem o mínimo sentido de Estado, que demonstra falta de decoro em diversos contextos e que usa uma linguagem inadequada e rasca na comunicação social.Corremos o risco de nos tornarmos a “Nova Cuba” ou Guiné Bissau. Embora o Francisco esteja a beneficiar do silêncio conivente da Justiça e da manipulação indecente de grande parte da Comunicação Social, um dia a realidade se imporá. Será que os manifestantes acreditam que o Francisco Carvalho é a alternativa para a mudança que querem? Eis a questão. Será?

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