A pátria acima da retórica

Há momentos na vida em que o silêncio seria mais prudente do que a eloquência. Nem tudo o que rende um aplauso imediato serve o interesse permanente de uma nação.

O trogloditismo é, muitas vezes , a negação da razão. E não raras vezes , a pretensa sapiência entra em conflito com a ciência dos factos. É assim que, em certos momentos, alguns procuram construir uma falsa “ expertise “ , assente mais na narrativa do que na evidência.

A credibilidade de um País não é patrimônio de um governo nem de um partido. É um ativo nacional , construído ao longo de décadas, que deve ser protegido por todos os que exercem responsabilidades públicas.

Cabo Verde conquistou, desde 1991, o respeito das instituições financeiras internacionais graças ao trabalho desenvolvido por diferentes governos e à seriedade das suas políticas econômicas.

Esse legado não deve ser colocado em causa por discursos precipitados ou por leituras políticas que possam fragilizar a imagem externa do país.

O Presidente interino do MPD , Eurico Monteiro, pronunciou -se com clareza sobre esta matéria . O antigo Ministro das Finanças também apresentou esclarecimentos sobre o dossiê. Espera-se agora que o governo continue a privilegiar os canais institucionais adequados para tratar assuntos do estado , preservando sempre o bom nome e a credibilidade internacional de Cabo Verde.

Perante este debate, ficam duas posições públicas para reflexão: “ A nação está delapidada. “

Francisco Carvalho

(29 – Julho 2026)

Diretor Executivo do FMI ( 10 de Maio de 2026) :

“ A economia de Cabo Verde apresentou um desempenho sólido em 2025, com crescimento real do PIB de 6,3%, inflação média anual de 2,3%, excedente da balança corrente de 3,7% do PIB e reservas internacionais em máximos históricos de cerca de 1,1 mil milhões de euros.”

Cabo Verde reduziu a dívida , controlou a inflação e manteve a trajetória de crescimento, encontrando-se hoje mais preparado para enfrentar os impactos das crises internacionais.

Cada cidadão é livre de formar a sua opinião, mas numa democracia madura , as opiniões devem ser confrontadas com os factos , e não os factos moldados as opiniões.

As dificuldades existem e os desafios também. Nenhum país é perfeito , mas uma coisa é reconhecer problemas; outra, bem diferente, é transmitir para o exterior uma imagem que contrarie avaliações técnicas de instituições independentes e internacionalmente reconhecidas.

No fim, cada cabo-Verdiano responderá a pergunta essencial: devemos confiar na retórica politica do momento ou na avaliação técnica de quem acompanha de forma permanente, a economia do País?

Porque a verdade pode até ser incómoda , mas continua a ser o melhor alicerce da credibilidade de uma nação.

Juntos por Cabo Verde!

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