“A verdade tem de vir à tona”: Superior-Geral dos Missionários da Consolata exige esclarecimento da morte do bispo de Quelimane

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Mensagem enviada a missionários em mais de 20 países expressa choque, dor e apelo à justiça após a morte violenta de Dom Osório, no sábado

A morte de Dom Osório Citora Afonso continua a provocar ondas de consternação dentro da igreja católica e da família missionária da Consolata em todo o mundo. Numa mensagem dirigida aos Missionários da Consolata espalhados por mais de 20 países, o superior-geral do instituto, padre James Lengarin, manifestou profunda dor pela perda do bispo de Quelimane e defendeu que toda a verdade sobre as circunstâncias da sua morte seja esclarecida.

A partir de Itália, onde se encontra a sede da congregação, o responsável máximo do Instituto Missionário da Consolata afirmou ter recebido a notícia “com o coração pesado e profundamente ferido”, sublinhando que o desaparecimento de Dom Osório apanhou a congregação de surpresa e abalou profundamente todos os seus membros.

“Osório era um de nós. Um irmão simples, sorridente, capaz de caminhar entre as pessoas sem defesas, com a única força da Palavra de Deus”, escreveu James Lengarin na mensagem enviada à rede mundial de missionários da Consolata.

O superior-geral recordou o percurso pastoral do prelado moçambicano, descrevendo-o como um missionário comprometido com a paz, a reconciliação e o serviço aos mais necessitados. Segundo Lengarin, Dom Osório foi um pastor que “se deixou consumir pelo serviço até ao último dia”.

Perante a dimensão da tragédia, o líder da congregação apelou à oração, à unidade e à perseverança missionária, advertindo que a violência não deve paralisar a ação evangelizadora da Igreja.

“Não deixemos que a violência nos divida ou nos paralise. A missão continua, e continua precisamente através da nossa fraternidade, da nossa fidelidade e da nossa presença entre os mais pequenos”, afirmou.

Numa das passagens mais marcantes da mensagem, James Lengarin defendeu a necessidade de um esclarecimento completo sobre o ocorrido, considerando que a busca da verdade constitui uma exigência moral e espiritual. “Temos o dever moral e espiritual de desejar que a verdade sobre o que aconteceu venha totalmente à tona. A morte de um pastor não pode permanecer envolta em silêncio ou incerteza. A verdade é um ato de justiça para com Osório, para com o seu povo e para com a nossa própria missão”, declarou.

A mensagem ganha ainda maior significado por surgir num ano simbólico para os Missionários da Consolata, que celebram o centenário da morte do seu fundador. Perante a dor vivida pela congregação, o padre Lengarin evocou uma das frases mais conhecidas do fundador do instituto: “O Senhor guia e não abandona”.

Fundado em Itália, o Instituto Missionário da Consolata está atualmente presente em mais de duas dezenas de países de África, Europa, América e Ásia, desenvolvendo trabalho missionário, social e pastoral junto de comunidades vulneráveis. Dom Osório Citora Afonso integrava esta família missionária e era uma das suas figuras mais destacadas em Moçambique.

Ao concluir a sua mensagem, o superior-geral confiou os missionários à proteção de Nossa Senhora. “Confio cada um de vós à Consolata, Mãe da ternura e da força”, para de seguida entregar o bispo falecido à misericórdia de Deus, numa despedida carregada de emoção.

“E confio o nosso querido Osório à misericórdia do Senhor, certo de que o seu sorriso continua agora na luz do Ressuscitado. Reza por nós, querido irmão Bispo”, concluiu.

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