Acordo de livre comércio aproxima África de uma visão integrada

Declaração foi feita pelo Secretário-geral da ALCCA, no dia que este acordo, também ratificado por Cabo Verde, entrou em vigor

O Secretário-geral da Área de Livre Comércio Continental Africana, ALCCA, disse ontem que a entrada em vigor deste acordo comercial aproxima o continente “da visão de uma África integrada e de um mercado integrado”.

“Colocamos África um passo mais próximo de uma visão de uma África integrada, uma visão de um mercado integrado no Continente Africano”, disse Wamkele Mene durante a cerimónia oficial de lançamento, que decorreu ontem em formato virtual a partir da capital do Gana, Acra, a sede do secretariado.

O acordo de trocas comerciais na ALCCA arrancou ontem oficialmente, culminando um período de mais de cinco anos de negociações para reduzir ou eliminar as tarifas alfandegárias entre os países Africanos, num contexto de tensões comerciais em várias partes do mundo, nomeadamente na Europa, onde o Reino Unido saiu da União Europeia e foi implementado um acordo comercial pós-Brexit.

O acordo, que dos 55 países Africanos só não foi assinado pela Eritreia, pretende eliminar ou reduzir as tarifas alfandegárias na maior parte dos bens, facilitar o movimento de pessoas e de capital, promover o investimento no continente e preparar o estabelecimento de uma união aduaneira no continente, esperando-se que esteja completamente operacional em 2030, tornando a região na maior zona de comércio livre do mundo.

Entre os países lusófonos, só Guiné-Bissau e Moçambique não ratificaram o acordo de livre comércio no continente, que entrou hoje em vigor, disse o coordenador do Centro de Política Comercial Africana na Comissão Económica das Nações Unidas para África.
“A Guiné-Bissau e Moçambique assinaram o acordo de adesão à ALCCA, mas ainda não o ratificaram”, disse David Luke em declarações à Lusa a partir de Adis Abeba, a sede da União Africana.

“Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe ratificaram o acordo e depositaram os instrumentos de ratificação junto da Comissão da União Africana”, acrescentou o responsável, no dia em que entra em vigor o acordo de liberalização das tarifas alfandegárias que promete mudar a face das economias Africanas.