Adesão de Cabo Verde à NATO será a principal contribuição do país para fazer parte do espaço transatlântico

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Eu estou por entender porque alguns ficam tão assustados com a insinuação de que Cabo Verde quer aderir à NATO. Essa adesão será a principal contribuição do país para fazer parte do espaço transatlântico, num acordo capaz de catapultar e fazê-lo brilhar como nunca sonhado.

A ideia de um tratamento de Cabo Verde como membro do transatlantismo, que pode e, a meu ver, deve incluir uma relação formal com a NATO, foi apresentada aos europeus e aos americanos nos finais dos anos noventa do séc. passado.

A esquadria básica desse conceito foi discutida suficientemente. A Europa deu luz verde a Cabo Verde para apresentar o dossier, nos termos discutidos nos corredores de Bruxelas.

O conselho de ministros afro-americano, promovido por Clinton, no qual participaram o governo dos USA e os governos de todos os países africanos a sul do Saara, criou e adotou o conceito de diferenciação positiva dos pequenos países insulares como janela jurídica capaz de permitir a Cabo Verde os voos pretendidos, sem qualquer tipo de amarras. Como consequência, Clinton substituiu o seu conselheiro para Cabo Verde, na decorrência da visita do secretário do Comércio, Slater. O acordo de Cotonou, assinado entre a UE e os ACP, fez o mesmo.

Infelizmente, a partir de 2001 os governos não deram seguimento aos dossiers. Preferiram fazer o down grade da ambição do país. E, inconsistentemente, caiu-se no conceito de parceria especial que, comparativamente, não é nada.

Se os caminhos desbravados tivessem dado origem aos acordos pretendidos, hoje seríamos, inquestionavelmente, um membro do clube dos países mais desenvolvidos do mundo, uma estrela brilhante no meio do Atlântico. Sem problemas de circulação de pessoas, mercadorias, capitais e tecnologia, nomeadamente, no espaço euro-americano.
Cabo Verde é, sistematicamente, vítima dos “zarentos”, os reacionários especializados em roubar ao país as oportunidades que a História recorrentemente lhe oferece.

O mais impressionante é que, tantos anos decorridos da queda do muro de Berlim, continuamos órfãos da Guerra Fria. O país continua tributário da ideologia soviética e do chamado grupo de países não alinhados, não percebendo que na cilada ideológica criada por Moscovo de então reside a base de todos os seus reais problemas de desenvolvimento e de segurança. Porque a dificuldade é, efetivamente, ideológica.

Reage-se negativamente à ideia de “Cabo Verde país-atlântico”. Aceita-se como normal a ideia peregrina de fazer de Cabo Verde uma zona económica especial da China.

Já é tempo de o país se desenvencilhar do peso do lixo que transporta, só possível com governos fora de caixa e lideranças competentes e com ambição. Enquanto não entendermos e assumirmos isso, Cabo Verde continuará a ser Cabo Verde, como sempre foi.

OBS. Título da responsabilidade de OPAÍS.cv. Texto publicado pelo autor na sua conta da rede social Facebook.

2 COMENTÁRIOS

  1. Subscrevo integralmente a opinião do Gualberto do Rosário que aliás tenho exprimido, por outras palavras, na comunicação social. Na verdade, a chamada elite cabo-verdiana tem sido míope e prisioneira da defunta ideologia de “Não-Alinhamento”. Após ter participado numa reunião ministerial dos “Não-alinhados” que teve lugar em Accra, em 1992, no meu relatório, tive a coragem de escrever que o Movimento dos Não-alinhados estava morto e quase ia ser sacrificado por isso.
    Apelo para que haja uma grande adesão a esta ideia do Gualberto, no sentido de forçarmos os governantes a tomar o rumo certo para Cabo Verde. Caso contrário, ficamos a penas a olhar o comboio do desenvolvimento a distanciar-se de nós.

  2. Subscrevo na íntegra a posição do Dr Gualberto do Rosário. Fazer parte da Aliança Atlântica seria uma decisão sensata de quem nos governa. Não esquecer que se trata de uma instituição político-militar fundada nos valores da liberdade, da democracia e dos direitos humanos, que promove a paz e a segurança de quem dela faz parte. Defender o discurso dos não alinhados, ficar encima do muro, para mim não faz qualquer sentido, ainda mais nesse contexto de conflito que grassa o mundo neste momento. Quem defende a ideia da adesão de Cabo Verde à NATO, defende Cabo Verde e os Cabo-verdianos. Cabo Verde é ocidente e a NATO defende os valores ocidentais.

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