O que se passou com a anunciada “Corrida dos Heróis Nacionais” não é um detalhe menor, nem um simples ruído comunicacional. É um ato político grave, revelador de uma preocupante leviandade no exercício do poder local e de uma relação displicente com a palavra pública.
A Câmara Municipal da Praia anunciou oficialmente, através da sua página institucional no Facebook, a realização de uma corrida evocativa dos Heróis Nacionais. Mais do que um simples evento desportivo, a iniciativa surgiu no contexto da tentativa de supressão da Corrida da Liberdade, uma prova já enraizada na identidade, na memória coletiva e no simbolismo democrático da Cidade da Praia.
O anúncio teve consequências reais: mobilizou cidadãos, abriu inscrições, gerou expectativa e provocou uma reação popular expressiva. A ponto de o Governo, através do Instituto do Desporto e Juventude, assumir a realização da Corrida da Liberdade, corrigindo um vazio criado por decisão municipal.
Mas, confrontado com as consequências do seu próprio anúncio, o Presidente da Câmara optou por um caminho inaceitável: desdizer-se publicamente, relativizar o ato e reduzir tudo a um inacreditável “flado fla”.

Não.
Não é aceitável.
Um Presidente de Câmara não fala em conversa de café. Fala com o peso institucional do cargo que ocupa. A sua palavra tem autoridade pública, impacto social e valor político. Não se anuncia hoje, convoca-se pessoas, abre-se inscrições, para negar amanhã como se nada tivesse acontecido.
Este “diz que não disse” não é uma simples trapalhada. É desrespeito pelos cidadãos que confiaram; desconsideração pelas instituições forçadas a reagir ao improviso; banalização da memória nacional, tratada como joguete político e erosão da credibilidade da função pública, num momento em que o País exige seriedade.
Pior ainda: ao classificar o anúncio como mero “flado fla”, o Presidente normaliza a irresponsabilidade. Transmite a mensagem perigosa de que nada do que diz vincula, nada compromete, nada obriga.
Hoje é uma corrida. Amanhã, o que mais será “flado fla”?
A Praia merece mais. Cabo Verde merece melhor.
A democracia não se sustenta em improvisos nem em palavras descartáveis. Exige líderes que pensem antes de falar, e que honrem aquilo que dizem.
A indignação é legítima. O silêncio é cúmplice.
E a memória coletiva não é brinquedo político.
Quando um Autarca trata a sua própria palavra como lixo retórico, é a dignidade da função pública que cai no chão.



Torna-se cada dia mais incompreensível como um partido histórico como o PAICV aceita a liderança de Francisco Carvalho. É preocupante e vergonhoso ver juristas e figuras que já ocuparam cargos de relevo no Estado a apoiar alguém cuja postura e falta de noção ultrapassaram todos os limites aceitáveis.Francisco Carvalho demonstra não ter o perfil necessário para o cargo de Primeiro-Ministro. Esta não é apenas uma questão de luta partidária; é a própria credibilidade que Cabo Verde construiu desde 1975 que está em jogo. Onde estão os grandes quadros do PAICV? E onde se escondem os analistas de ocasião que, por puro oportunismo, atacam o Governo apenas para agradar a quem julgam ser o próximo líder?
E a jornalista que fez questão de não confrontar o entrevistado com a publicação da própria Câmara Municipal? Nunca o nível jornalístico desceu tanto!
Vai aguardar aprovação durante quanto tempo?
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