Um artigo de opinião assinado, hoje, pelo politólogo Henrique Santos, publicado no semanário Sol, vem como mais uma contestação no debate sobre a fiabilidade dos inquéritos que avaliam a perceção dos cabo-verdianos a respeito da pobreza e da qualidade de vida no país.
A peça, intitulada “Afrosondagem falha na avaliação de Cabo Verde”, questiona resultados recentes atribuídos ao Afrosondagem e contrapõe esses dados a levantamentos oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) e a pesquisas de outras entidades.
Segundo o artigo, o inquérito do Afrobarómetro apontou que 54% dos cabo-verdianos classificam a situação do país como “má ou muito má”, enquanto aproximadamente um terço da população viveria em situação de pobreza. Contudo, dados divulgados pelo INE, conforme cita o articulista, indicam uma taxa de incidência de pobreza absoluta de 24,7% e uma taxa de pobreza extrema de 2,3%, valores mais baixos do que os apresentados pela pesquisa internacional.
Otimismo em outros levantamentos
Outro ponto destacado no texto é a discrepância entre os resultados da Afrosondagem e os de uma recente sondagem realizada pela empresa Pitagórica, entre 11 e 22 de dezembro de 2024. De acordo com a pesquisa, 64% dos entrevistados acreditam que a vida dos cabo-verdianos está melhor em 2025 do que em 2024, e 81% esperam uma melhora na sua vida pessoal ao longo deste ano. Esses números, na visão de Henrique Santos, sugerem um cenário de maior otimismo, contrastando com a visão mais pessimista atribuída à “Afrosondagem”.
Comparações internacionais
O autor também menciona que indicadores como o Human Freedom Index, o Democracy Index e o Freedom House, costumam posicionar Cabo Verde em patamares de destaque dentro do contexto africano, sobretudo em questões ligadas à democracia e à governança. Esse reconhecimento, segundo Santos, corrobora a imagem positiva do país e reforça a necessidade de avaliar com cautela os dados que apontariam para uma situação socioeconômica mais grave.
Reações e reflexões
Até o momento, não há uma resposta oficial do Afrosondagem aos questionamentos, uma vez o artigo ter saído hoje. No entanto, especialistas em estatística e opinião pública lembram que metodologias de coleta e interpretação de dados podem variar significativamente entre estudos. Fatores como o período em que a pesquisa é realizada, o tamanho e a distribuição da amostra, bem como a redação das perguntas, podem influenciar as percepções dos entrevistados.
Em Cabo Verde, onde políticas públicas de combate à pobreza e estímulo ao crescimento econômico são prioritárias, as divergências entre levantamentos estatísticos têm fomentado o debate sobre a eficácia das ações governamentais e sobre a imagem internacional do arquipélago. Se, por um lado, a Afrosondagem sugere índices preocupantes, por outro, as estatísticas oficiais e pesquisas paralelas demonstram avanços importantes.
Para além dos números
Henrique Santos conclui seu artigo enfatizando que, independentemente das controvérsias, cabe aos governantes e à sociedade civil identificar pontos de melhoria na qualidade de vida dos cabo-verdianos e consolidar os bons resultados em liberdade política, democracia e governança. O desafio, segundo o articulista, é trabalhar com dados confiáveis e metas claras, para que as políticas públicas promovam avanços reais e sustentáveis.
Com a “Afrosondagem” novamente em discussão, o tema permanece aberto à interpretação de pesquisadores e autoridades. Nos próximos meses, poderá haver novas iniciativas voltadas para harmonizar diferentes metodologias de pesquisa, buscando oferecer uma visão mais clara e consensual do cenário socioeconômico de Cabo Verde.
Encontre aqui o artigo de opinião original.


