Arnaldo Brito admite retirada do ensino superior público da ilha do Fogo por razões de sustentabilidade, enquanto Nuias Silva defende a permanência da formação universitária como condição para o desenvolvimento e fixação de jovens na ilha
O futuro do ensino superior público na ilha do Fogo abriu uma nova frente de tensão entre o Governo do PAICV e o poder local em São Filipe.
O ministro da Educação, Formação Profissional e Ensino Superior, Arnaldo Brito, admite a retirada da oferta pública de ensino superior da ilha, alegando os custos associados ao seu funcionamento, enquanto o presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Nuias Silva, defende a sua continuidade e desafia o Governo a encontrar soluções mais económicas sem abandonar o território.
Arnaldo Brito manteve um encontro alargado com professores em São Filipe, e que contou também com a presença do edil de São Filipe.
A posição do ministro surge num momento em que o Governo do PAICV anuncia a gratuitidade do ensino superior público, mas, simultaneamente, promove uma alegada reorganização do sistema. Entre as medidas em análise está a eventual integração da Universidade Técnica do Atlântico na Uni-CV, com o próprio ministro a questionar se Cabo Verde tem condições para manter duas universidades públicas.
No Fogo, o debate ganha uma dimensão territorial. Para Nuias Silva, a lógica financeira não deve determinar o desaparecimento do ensino superior da ilha. O autarca defende que, perante os constrangimentos orçamentais, devem ser estudados modelos de funcionamento mais sustentáveis, mas mantendo a oportunidade de formação superior no território.
A questão que agora se coloca é se a racionalização do sistema será feita através da concentração de estruturas e ofertas ou se haverá espaço para um modelo que preserve a presença universitária nas diferentes ilhas. No Fogo, a resposta do poder local é clara: os custos podem ser discutidos, mas a presença do ensino superior não deve ser simplesmente retirada.





