ALTERAÇÃO CLIMÁTICA: Cabo Verde na lista dos mais afetados

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Esta é uma das conclusões de um estudo sobre mudanças climáticas, apresentando quarta-feira, num seminário internacional, em Portugal

Cerca de 120 milhões de pessoas em idade ativa e suas famílias, podem ser forçadas a deslocarem-se ao longo do século XXI.

O Estudo é dos investigadores Frederic Docquier, Michael Burzynskia, Christoph Deusterce e Jim de Melo, que foi ontem apresentado num seminário promovido pelo Centro NOVAFRICA, da Nova SBE, Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, em Carcavelos, Portugal.

Foram analisados os efeitos de longo prazo das alterações climáticas sobre as migrações laborais, sendo incluídos nos 145 países em desenvolvimento mais 34 do grupo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, OCDE, fatores como o efeito do aumento das temperaturas e da subida do nível do mar, o crescimento demográfico e populacional, decisões educativas, desigualdade salarial, pobreza extrema e decisões de mobilidade.

Os modelos matemáticos criados pelos investigadores revelam que as alterações climáticas têm efeitos limitado nas taxas de emigração e imigração internacionais, mesmo nos cenários mais extremos, demonstrando que a migração internacional é uma estratégia de adaptação dispendiosa, e por isso mesmo, de último recurso.

Num cenário climático moderado os cientistas prevêem deslocações forçadas e voluntárias de cerca de 200 milhões de pessoas, dos quais só 19% irão optar por uma migração de longo distância, para um dos países desenvolvidos da OCDE.

De acordo com o Estudo, os migrantes são sobretudo originários de países que menos contribuíram para as alterações climáticas, mas que mais vão sofrer os seus efeitos, incluindo países africanos como Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique.

O estudo realça que as alterações climáticas exigem “mais coerência entre políticas de migração, desenvolvimento e ambientais” e acrescenta que “são necessárias medidas preventivas para encorajar a adaptação às alterações climáticas, redução do risco de desastres a nível local, desenvolvimento sustentável em geral e desenvolvimento urbano sustentável em particular”, sobretudo nos países mais pobres, onde as pessoas têm também menos mobilidade devido às dificuldades financeiras.