Antes do duelo na Copa, Cabo Verde e Argentina partilham uma história de fé com quase 400 anos

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Nas vésperas do histórico confronto entre Cabo Verde e a Argentina, a contar para o mata-mata da Copa do mundo de futebol, um episódio pouco conhecido revela que os dois países já estavam ligados muito antes de se encontrarem dentro das quatro linhas

O elo chama-se Negro Manuel, um cabo-verdiano considerado uma das figuras mais marcantes da devoção à Virgem de Luján, padroeira da Argentina.

Enquanto as atenções se concentram no encontro entre os Tubarões Azuis e a seleção da Argentina, na sexta-feira, pelas 21 horas, uma antiga história de fé volta a ganhar destaque. Apesar dos mais de 6.600 quilómetros que separam os dois países, Cabo Verde e Argentina partilham um vínculo histórico que remonta ao século XVII.

Segundo a agência católica ACI Prensa, Manuel Costa dos Rios, conhecido como Negro Manuel, nasceu no atual território de Cabo Verde e chegou ao Rio da Prata como escravo vindo do Brasil. Em 1630, esteve entre as testemunhas do episódio que deu origem à devoção da Virgem de Luján, quando uma imagem da Imaculada Conceição, transportada numa carroça, permaneceu milagrosamente no local onde hoje se encontra um dos maiores santuários marianos da América do Sul.

Após o acontecimento, Manuel recebeu a missão de cuidar da imagem e dedicou-lhe mais de 50 anos da sua vida. Acolhia peregrinos, relatava o milagre e prestava assistência aos doentes, tornando-se uma referência de fé e serviço.

Quando a imagem foi transferida para a propriedade de Ana de Matos, onde atualmente se ergue a Basílica de Luján, Manuel permaneceu ao lado da Virgem. Nos registos da época ficou identificado como pertencente à Virgem de Luján, razão pela qual repetia frequentemente a frase: “Sou da Virgem só”.

Manuel morreu em 1686 e os seus restos mortais repousam junto à Basílica de Luján. Atualmente, é reconhecido pela Igreja Católica como Servo de Deus, estando em curso o seu processo de canonização.

Assim, antes mesmo de Cabo Verde e Argentina medirem forças num Mundial de futebol, os dois povos já estavam unidos por uma história de fé, devoção e esperança que atravessa quase quatro séculos.

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