Michelle Bachelet retirou a sua candidatura ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. A decisão surge após a terceira sondagem informal do Conselho de Segurança, realizada sexta-feira, que voltou a colocar a costa-riquenha Rebeca Grynspan entre as candidatas com maior apoio
Michelle Bachelet, antiga presidente do Chile, que também foi Alta-Comissária da ONU para os Direitos Humanos, anunciou a retirada da candidatura num vídeo divulgado nas redes sociais. A sua saída ocorre numa altura em que o processo de escolha do próximo secretário-geral entra numa fase decisiva, com a Assembleia Geral a iniciar esta semana a sua 81.ª sessão.
Sete candidatos
Após a saída de Bachelet, a disputa reúne sete candidatos de três regiões para suceder António Guterres:
• Rebeca Grynspan — Costa Rica (América Latina e Caraíbas), economista e antiga vice-presidente da Costa Rica;
• Carolyn Rodrigues Birkett — Guiana (América Latina e Caraíbas), diplomata e atual representante permanente da Guiana junto da ONU;
• María Fernanda Espinosa — Equador (América Latina e Caraíbas), diplomata e antiga presidente da Assembleia Geral da ONU;
• Rafael Mariano Grossi — Argentina (América Latina e Caraíbas), diplomata e diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica;
• Macky Sall — Senegal (África), antigo Presidente do Senegal;
• Olara Otunnu — Uganda (África), antigo subsecretário-geral da ONU e ex-ministro ugandês;
• Ivonne A-Baki — Equador (Ásia-Pacífico, por indicação de Tonga), diplomata e antiga embaixadora do Equador.
A composição da corrida mantém, assim, quatro candidaturas provenientes da América Latina e Caraíbas, duas de África e uma candidatura apresentada por um país da região Ásia-Pacífico. A indicação de A-Baki por Tonga é uma das novidades mais recentes do processo.
Conselho de Segurança terá papel decisivo
A escolha não é feita diretamente numa eleição entre os sete candidatos. O Conselho de Segurança, composto por 15 membros, terá de recomendar um único nome à Assembleia Geral, sendo necessária a concordância dos cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — para evitar um veto. A Assembleia Geral, composta por 193 Estados-membros, votará posteriormente a nomeação por escrutínio secreto.
Na terceira sondagem informal do Conselho de Segurança, realizada na passada sexta-feira, dia 18, Rebeca Grynspan recebeu nove votos de “encorajamento”, contra oito para Carolyn Rodrigues Birkett. A votação, contudo, não constitui uma eleição e não determina o resultado final.
O Conselho é incentivado a concluir a análise das candidaturas e apresentar a sua recomendação até 1 de outubro próximo, embora o calendário final da nomeação dependa das negociações entre os membros do Conselho.
O mandato de António Guterres termina em 31 de dezembro deste ano, e o novo secretário-geral deverá iniciar funções em 1 de janeiro de 2027, para um mandato de cinco anos.





