Antigo Diretor Nacional de Educação critica discurso do ministro da Educação e defende continuidade das políticas educativas

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Adriano Moreno defende a continuidade e o aperfeiçoamento das políticas educativas e manifesta reservas sobre algumas declarações do atual ministro da Educação, que considera pouco inovadoras e, em certos casos, injustas para a classe docente

Num texto publicado esta quinta-feira na sua página de Facebook, Adriano Moreno considera positiva a orientação defendida pelo primeiro-ministro no Conselho Alargado do Ministério da Educação, realizado na terça e quarta-feira, no sentido de manter e reforçar políticas que têm produzido resultados e aperfeiçoá-las onde necessário.

Já em relação à intervenção do ministro, diz ter ficado com “algumas reservas”, considerando-a excessivamente marcada por formulações filosóficas e por ideias que não constituem novidade no contexto cabo-verdiano. “Com o devido respeito, pareceu-me excessivamente marcada por intenções e formulações filosóficas, algumas delas pouco consistentes e outras que pouco têm de novidade no contexto cabo-verdiano”.

O antigo DNE questiona, nomeadamente, a apresentação da “Educação para Todos, Sem Deixar Ninguém Para Trás” como uma nova orientação, lembrando que a inclusão e o apoio aos alunos mais vulneráveis têm integrado há vários anos as políticas educativas nacionais.

Também contesta a afirmação de que “os professores estão ainda no século XX”, considerando-a uma generalização injusta e potencialmente desqualificadora da classe docente. Para o antigo responsável, eventuais necessidades de atualização devem ser enfrentadas através de formação, acompanhamento e investimento.

Adriano Moreno sublinha ainda que os resultados educativos dependem de todo o sistema -políticas, liderança, formação, recursos, condições de trabalho, gestão escolar, acompanhamento e avaliação – e defende uma gestão baseada no diagnóstico, planeamento, implementação, avaliação e aperfeiçoamento.

“Cabo Verde precisa de continuidade nas políticas que funcionam, correção onde existem falhas e inovação onde ela for necessária”, escreve, defendendo que os ganhos alcançados ao longo dos anos não devem ser desvalorizados. “Na educação, construir é muito mais difícil do que destruir”, adverte, sublinhando que os ganhos alcançados ao longo de anos “não devem ser tratados como se tivessem surgido ontem”.

“Educação exige visão, competência, continuidade e responsabilidade”, finaliza.

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