O aumento do preço dos combustíveis poderá provocar um efeito em cadeia sobre toda a atividade pesqueira, agravando os custos de operação num setor marcado pela sazonalidade, riscos e incerteza, alerta o presidente da Associação dos Armadores de Pesca (APESC), Susano Vicente
Em declarações à RCV, Susano Vicente defendeu que o combustível utilizado pela pesca deve ser tratado de forma diferenciada daquele destinado à marinha comercial, tendo em conta as especificidades de cada atividade.
Segundo o responsável, enquanto a marinha de comércio consegue prever com maior facilidade as receitas de determinadas operações, a pesca está sujeita a fatores que escapam ao controlo dos armadores, como as condições meteorológicas, os ciclos lunares e a própria disponibilidade do pescado.
“Na pesca é diferente. Na pesca é aleatória, é uma atividade sazonal, com muitos riscos e incerteza”, salientou.
Perante este cenário, a APESC volta a defender junto do Governo a desagregação do combustível destinado à pesca daquele utilizado pela marinha comercial, propondo que o gasóleo para os pescadores seja, pelo menos, equiparado ao preço praticado para a produção de eletricidade.
Para Susano Vicente, esta seria uma forma de apoiar um setor já pressionado por vários fatores e evitar que o aumento dos combustíveis tenha consequências ainda mais pesadas sobre a atividade e os seus custos.
Atualmente, o gasóleo destinado à marinha nacional está fixado em 135$20 por litro, enquanto o combustível utilizado na produção de eletricidade ronda os 155$00.



