Com tudo pago, é necessário explicar para onde foram os 9 mil contos extras recebidos do Governo e da patrocinadora CVTelecom.
A presença de Cabo Verde nos quartos de final do Afrobasket 2025, em Angola, é motivo de orgulho nacional. Uma conquista desportiva que merece aplausos e reconhecimento. Mas a festa ficou ensombrada por um vídeo divulgado pela própria Federação Cabo-verdiana de Basquetebol, em que os jogadores, em pleno palco da competição, apontam o dedo, alegando falta de apoios.
À primeira vista, a denúncia pode sensibilizar a opinião pública. Mas quando confrontada com os fatos, a narrativa revela-se frágil. É verdade que a preparação começou com um estágio falhado em França, entregue a uma promotora, pela própria Federação, que não conseguiu organizar nada. Porém, logo depois, a nossa Seleção seguiu para o Centro de Alto Rendimento de Rio Maior, em Portugal, com todas as despesas suportadas pelo Governo de Cabo Verde.
Na véspera da competição, a equipa viajou para Angola com passagens, estadia e alimentação asseguradas. Um dia antes do arranque da competição, entrou no hotel reservado pela organização, sem custos adicionais. Paralelamente, a Federação de Basquetebol recebeu apoios financeiros de peso: 9 mil contos do Governo e da patrocinadora CVTelecom.
E aqui reside a verdadeira questão: se os principais encargos foram cobertos, para onde foi canalizado esse dinheiro? Apoios houve, e não foram poucos. O que falta agora é a transparência no processo por parte da Federação.
Não se trata de desvalorizar os atletas, que honram a camisola e a Bandeira Nacional pelo que merecem todo o nosso respeito. Trata-se de exigir da Federação aquilo que qualquer entidade que recebe fundos públicos deve garantir: prestação de contas clara e rigorosa. Criticar o Governo, por razões inconfessáveis, pode render simpatia imediata, mas não substitui a obrigação de explicar como foram utilizados os apoios recebidos.
Quando se fala de recursos públicos, a transparência não é favor, é dever. E enquanto não for esclarecido o destino dos apoios, qualquer discurso de “falta de apoio” mais não será do que uma cortina de fumo que mina a confiança dos adeptos e fragiliza o próprio futuro da modalidade.
O País orgulha-se dos feitos dentro de campo feito pela nossa Seleção e por cada um dos jogadores e equipa técnica, sabiamente liderada por Emanuel (Mané) Trovoada, mas fora de campo, exige-se seriedade sobretudo da direção da Federação. É urgente.


