Aquecimento do mar afasta cavala preta da costa, mas espécie não está em risco, diz presidente do IMAR

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O aumento da temperatura da água do mar está a levar a cavala preta a permanecer em zonas mais profundas e mais afastadas da costa, dificultando a sua captura pelos pescadores cabo-verdianos

A explicação foi avançada pelo biólogo pesqueiro Albertino Martins, presidente do Instituto do Mar, em declarações à RCV, no quadro de mais uma edição do Kavala Fresk, que acontece no sábado, na cidade do Mindelo.

Em Cabo Verde existem duas espécies de cavala: a preta e a branca. Enquanto a cavala branca é menos frequente, a cavala preta tem vindo, há alguns anos, a dar sinais de redução, situação que levou o Instituto do Mar (IMAR) a implementar medidas de conservação para inverter esta tendência.

Segundo Albertino Martins, presidente do IMAR, a cavala preta aparece atualmente com menor frequência nos mercados, mas quando é capturada apresenta um tamanho superior ao habitual, um indicador de que a espécie se encontra em boas condições biológicas.

Em declarações à RCV, no âmbito de mais uma edição do Kavala Fresk, o biólogo explicou que o aquecimento das águas superficiais do mar é um dos fatores que tem alterado o comportamento desta espécie migratória costeira. Com temperaturas mais elevadas junto à costa, a cavala procura águas mais frias e ricas em nutrientes, permanecendo em maiores profundidades ou mais distante do litoral.

Esta mudança representa um desafio para os pescadores, uma vez que as embarcações semi-industriais e as artes de pesca atualmente utilizadas têm limitações para operar em zonas mais profundas e afastadas da costa. Por isso, Albertino Martins defende o investimento em embarcações de maior porte ou na utilização de redes mais altas, capazes de alcançar os locais onde a cavala se concentra atualmente.

O responsável reconhece, no entanto, que a adoção destas estratégias exige investimento e uma mudança gradual nas práticas de pesca.

Apesar das dificuldades de captura, Albertino Martins garante que a cavala preta não está em risco de extinção nem apresenta sinais de sobre-exploração. Segundo explicou, o facto de os exemplares capturados serem, em média, de maior dimensão demonstra que o stock permanece saudável, estando apenas menos acessível devido à alteração da sua distribuição.

O presidente do IMAR revelou ainda que a instituição está a desenvolver estudos sobre outra espécie existente em Cabo Verde, a Decapterus, conhecida como cavala de rabo vermelho, com o objetivo de reunir informação científica que permita definir futuras medidas de gestão.

O período de defeso da cavala começa a 15 de julho, altura em que a captura da espécie deve ser evitada para salvaguardar a reprodução e contribuir para a recuperação do stock.

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