O Sr. Francisco Carvalho chegou à presidência da Câmara Municipal da Praia com um discurso marcadamente ideológico, demagógico e moralista contra os que ele definiu como “os poderosos” e exploradores do povo. Disse, publicamente, a que veio, isto é para pô-los “em ordem”.
Cavalgou a corrupção, passou-se por um “coitado” e por um puritano e exaltou a transparência, próprios de um político recém-chegado ao poder, que rapidamente ficou embriagado com tanto poder pessoal, que jamais imaginava obter. Vendeu a falsa imagem de um político justo e comprometido com a legalidade, por isso mesmo, mostrou-se avesso ao clientelismo partidário e ao nepotismo, mas a sua prática de pouco tempo no poder tem revelado o contrário, um autêntico embuste, tendo feito juras de preferir “perder a maioria” (perdeu-a), do que compactuar com a corrupção (está a praticá-la).
Diabolizou a parceria com os privados, que grande contributo deu para o equipamento e modernização da cidade, bem como a reabilitação de algumas zonas da cidade que apresentavam sinais de degradação urbana e social, durante os mandatos de Ulisses e Óscar.
Para ele, a parceria estabelecida com o grupo empresarial, que agora elegeu como a sua principal parceira era um acto de CORRUPÇÃO, mesmo sabendo que todas as parcerias tinham sido aprovadas pela Assembleia Municipal da Praia e com os votos favoráveis dos representantes do PAICV.
É fácil, muito fácil “pegar” um político nas suas contradições e incoerências: basta comparar o que dizia na oposição a que faz na situação!
Justamente, o Sr. Francisco Carvalho, depois de ter caluniado e feito duras críticas ao seu antecessor, acusando-o publicamente de corrupto, está, hoje, nos “braços” de duas maiores empresas do setor imobiliário, que em troca de favores, são os principais beneficiados com empreitadas e com “stock” de terrenos urbanos mais valorizados do Município da Praia.
Com uma sede de poder pessoal, mas sem base económica, o Sr. Francisco Carvalho, tornou-se presa fácil de conhecidos grupos empresarias da Capital e, talvez seja o político cabo-verdiano, que mais depende dos favores de interesses económicos bem identificados, relegando as questões de desenvolvimento da Cidade e do Município para o segundo plano. Caiu, conscientemente, na armadilha da corrupção e como não há almoços grátis e os empresários associados não são filantropos, está a retribuir as contrapartidas aos mesmos poderosos que abominava, quando estava na oposição e sem perspetivas de chegar ao poder tão cedo.
A prova maior da promiscuidade da relação de negócio estabelecida com o grupo económico, que antes ele e o seu partido atacavam, é a venda, sem nenhum pudor, em que interferiu pessoalmente na concretização do negócio, de uma área de 3 hectares (30.000 m2) na zona estratégica e de alto valor económico e urbano da Cidade da Praia (zona aeroportuária, industrial, tecnológica, telecomunicações, comércio grossista, concessionárias de automóveis, um centro logístico e com a imobiliária em rápida evolução, etc.) a um grupo empresarial, promovendo o que se chama acaparamento de terreno (concentração de terrenos urbanos de valor estratégico nas mãos de uma pessoa ou de certos grupos económicos) de elevado valor estratégico, para obter lucros económicos excessivos, colocando a empresa que ganhou o “jack-pot” em posição de vantagem em relação aos demais investidores do setor imobiliário, não por mérito, mas simplesmente por compensação pelos favores atribuídos, sinónimo de corrupção na gestão da coisa pública.
Vejam como o Sr. Francisco Carvalho desbarata um bem público de alto valor: em qualquer parte do mundo terrenos urbanos para fins comerciais, especialmente concentrados num grupo reduzido de proprietários, têm preços superiores aos terrenos destinados para uso habitacional. Ademais, sabendo que os preços de terrenos do Município da Praia são preços de referência, um terreno para fim comercial devia, com aquela superfície, no mínimo, ser vendido pelo preço médio praticado no mercado.
Vejam como não protegeu os interesses de todos nós: vendeu 3 hectares por 3.500$00 + taxas e fez um encaixe de 125.000 contos, proporcionando ao agora “amigo” investidor e elevado à categoria de parceiro principal (braço económico do Presidente da Câmara Municipal da Praia), concedendo-lhe a oportunidade de fazer um negócio de milhões, privando a Cidade de um terreno de valor estratégico para uso público e misto futuro e, prejudicando, ostensivamente, outros potenciais investidores, que, legitimamente, aspiram à aquisição de lotes com boa posição, isto é viabilizados pelo entorno (vias asfaltadas, iluminação pública, passeios e ciclovias, proximidade com as alfândegas, porto, aeroporto, grandes armazéns, indústrias transformadores, parque tecnológico, Feira de Cabo Verde, enfim a maior área logística da Cidade), para a implementação dos seus projetos ou empreendimentos.
O homem que tanto fala sobre a transparência e a equidade, completamente tomado pela sua ambição cega de poder, ignorou o princípio da igualdade que a Administração Pública deve, obrigatoriamente, aplicar no relacionamento com os cidadãos e as empresas.
A administração, neste caso o Presidente e a CMP não devem ter empresários da sua PREFERÊNCIA aos quais dão tratamento privilegiado e de vantagem. A isto chama-se corrupção.
E fica a pergunta: se tanto fala acerca da transparência, se tanto condena a corrupção, se tanto fala em igualdade de tratamento dos cidadãos por que não vendeu os 30.000 m2 em hasta pública, aplicando os princípios da transparência, igualdade e concorrência na aquisição de um bem público de alto valor económico e que, pela certa, suscita interesse legítimo de muito investidores?
Afinal, a corrupção está ao serviço do poder, neste caso de uma pessoa, de uma forma escandalosa, “sem djobi pa lado”, mas está à vista de todos, do Ministério Público e da instituição de investigação criminal deste país.


