O presidente da Associação de Pescadores de Porto Novo aponta a falta de infraestruturas, o aumento dos custos da atividade e a ausência de proteção social como alguns dos principais desafios do sector das pescas no município. Defende novos investimentos para modernizar a atividade e melhorar as condições de vida dos profissionais
Atlermino Neves, considera que o sector das pescas tem registado avanços, sobretudo ao nível das infraestruturas de apoio e da comercialização, mas continua a enfrentar dificuldades que exigem investimentos estruturantes.
Em entrevista ao Jornal OPAÍS.cv, o responsável destacou a necessidade de construção de um porto de pesca no município, considerando que a falta desta infraestrutura cria constrangimentos no desembarque e ancoragem das embarcações, no transporte do pescado e na manutenção dos equipamentos.
Aumento dos custos preocupa pescadores
Atlermino Neves aponta o aumento dos preços dos combustíveis e dos materiais de pesca como uma das principais dificuldades dos operadores, sobretudo da pesca semi-industrial, que exige investimentos elevados para cada saída ao mar.
Embora considere positivas as medidas anunciadas pelo Governo, nomeadamente a redução de 10% no preço do combustível para a pesca semi-industrial e o apoio mensal de 10 mil escudos aos armadores artesanais, entende que é necessário continuar a adotar medidas para aliviar os custos da atividade.
Proteção social continua a ser um desafio
Outra preocupação prende-se com a falta de enquadramento de muitos pescadores no sistema de previdência social. Segundo o dirigente, vários profissionais passam a vida no mar sem descontos para a segurança social, ficando vulneráveis quando deixam de ter condições para trabalhar.
Defende, por isso, maior intervenção do Governo para facilitar o enquadramento dos trabalhadores no INPS, incluindo através de incentivos aos armadores e da formalização da pesca artesanal em pequenas empresas.
Mercado de peixe e novos investimentos
O presidente da associação manifesta ainda preocupação com o funcionamento do mercado de peixe construído em 2024, que, apesar de dispor de condições de conservação e comercialização, ainda não estará a funcionar plenamente.
Na sua perspetiva, é necessário ultrapassar os constrangimentos existentes e reforçar a organização da venda de pescado, responsabilizando a Câmara Municipal pela regulamentação da atividade.
Atlermino Neves aponta igualmente a construção da Casa do Pescador como uma prioridade, por permitir aos profissionais guardar os seus equipamentos e materiais de trabalho.
Modernização e diversificação da atividade
A associação tem promovido formações em segurança marítima, educação financeira, empreendedorismo, conservação e transformação do pescado, procurando melhorar as condições dos operadores e acrescentar valor à produção.
O responsável defende também o aproveitamento do potencial do município para desenvolver atividades ligadas ao ecoturismo, mergulho, pesca desportiva e passeios marítimos, criando novas fontes de rendimento para os pescadores.
Por fim, considera fundamental investir na modernização da frota semi-industrial e criar mecanismos de financiamento claros e previsíveis para permitir aos armadores nacionais evoluir para a pesca industrial.





