Autarquia da Praia admite falhas graves na recolha de lixo, mas procura responsabilização junto de trabalhadores

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Ao focar-se na responsabilização individual de funcionários, a gestão municipal parece desviar-se de um problema estrutural mais profundo, a desorganização crónica do setor e a falta de medidas eficazes para prevenir o colapso de um serviço essencial

Pela primeira vez em memória recente, a Câmara Municipal da Praia, sob a liderança de Francisco Carvalho, reconheceu publicamente a ineficiência do serviço de recolha de lixo, uma admissão que não deixa de ser tardia diante da avalanche de denúncias feitas por moradores nos últimos dias. Contentores constantemente cheios, lixo acumulado nas ruas e atrasos sistemáticos na recolha compõem um cenário que há muito deixa em causa a gestão do setor de saneamento na Capital.

A própria Autarquia confirma a existência de falhas recorrentes e aponta para ineficiências no serviço, amplamente documentadas por cidadãos que partilharam fotos e vídeos nas redes sociais. No entanto, a resposta institucional parece hesitante, uma vez que a Câmara Municipal anunciou a abertura de um processo de averiguação interna e ameaça aplicar sanções aos trabalhadores que negligenciam funções.

Apesar disso, a postura da Edilidade levanta questões. Ao focar-se na responsabilização individual de funcionários, a gestão municipal parece desviar-se de um problema estrutural mais profundo, a desorganização crónica do setor e a falta de medidas eficazes para prevenir o colapso de um serviço essencial.

As falhas sistemáticas, além de comprometerem a saúde pública, mancham a imagem da Cidade e Capital do País, e revelam uma preocupante falta de planeamento e capacidade de resposta.