Crescimento de 7,3%, inflação em queda, mais turistas, menos pobreza. Governo colhe frutos das reformas e políticas económicas prudentes
Cabo Verde registou em 2024 um desempenho económico notável, com um crescimento de 7,3% do PIB — impulsionado pelo turismo, recuperação agrícola e aumento do consumo privado — de acordo com o Economic Update – Spring 2025 do Banco Mundial. O relatório destaca ainda uma significativa queda da inflação, um superavit na conta corrente e uma redução expressiva da pobreza, com méritos reconhecidos à atuação do Governo.
O setor dos serviços, especialmente o turismo, respondeu por cerca de 70% do crescimento. O País recebeu 1,18 milhões de turistas, um aumento de 16,5% face a 2023, destacando-se uma mudança no perfil das estadias, com mais turistas a optarem por apart-hotéis, o que gera impacto direto nas economias locais.
Graças a boas chuvas, a agricultura contribuiu positivamente pela primeira vez em sete anos. A inflação caiu drasticamente para 1,0%, refletindo a descida dos preços globais de alimentos e energia, enquanto a pobreza recuou para 14,4%, abaixo do nível pré-pandemia. Estes resultados foram favorecidos pela prudência das políticas monetária e fiscal, conforme observa o Banco Mundial.
A situação fiscal permanece sólida. O défice global subiu ligeiramente para 1,1% do PIB devido ao aumento do investimento público e despesas sociais — incluindo com as eleições locais — mas a receita tributária cresceu e a dívida pública caiu para 110,2% do PIB, reforçando a confiança dos parceiros internacionais.
Na frente externa, a conta corrente registou superavit de 3,7% do PIB — o primeiro em quatro anos — impulsionado pela receita do turismo e pela moderação nas importações. As reservas internacionais subiram para 736 milhões de euros, cobrindo 5,5 meses de importações.
O relatório sublinha também o avanço das reformas estruturais, incluindo na governação das empresas públicas, como a separação da Electra em 2024. A dívida garantida das empresas públicas recuou para 7,9% do PIB.
Apesar do cenário otimista, o Banco Mundial aponta riscos externos — como choques climáticos e dependência do turismo — e internos, incluindo pressões políticas pré-eleitorais que podem abrandar reformas. Ainda assim, projeta-se crescimento de 5,9% em 2025 e redução da pobreza para 13,3%.
Finalmente, o documento dedica uma secção especial ao potencial económico das mulheres, defendendo políticas de inclusão laboral, qualificação em áreas técnicas e combate à discriminação, com ganhos estimados de até 12% no PIB no longo prazo, se as desigualdades forem resolvidas.
Cabo Verde, com disciplina fiscal, reformas estruturais e foco em setores-chave como turismo, continua a dar sinais de resiliência e dinamismo económico — colhendo, assim, os frutos de uma governação prudente e orientada para resultados.


