Banco Mundial. Turismo continua a puxar crescimento da economia cabo-verdiana

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A economia de Cabo Verde cresceu 6,3% em 2025, impulsionada sobretudo pelo forte desempenho do turismo, mas o Banco Mundial alerta que a excessiva dependência do setor e a fraca conectividade entre as ilhas continuam a limitar um crescimento mais diversificado e inclusivo

A economia cabo-verdiana manteve um forte ritmo de crescimento em 2025, com o PIB real a aumentar 6,3%, segundo a Atualização Económica de Cabo Verde 2026, divulgada pelo Banco Mundial em julho.

De acordo com o relatório, o desempenho foi impulsionado principalmente pela forte dinâmica do turismo, com chegadas recorde de visitantes dos mercados europeus, aumento da capacidade aérea e crescimento da procura. O setor dos serviços contribuiu com 4,1 pontos percentuais para o crescimento global da economia, enquanto o consumo privado acrescentou mais dois pontos percentuais.

O desempenho económico teve também reflexos no mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 6,2% em 2025, embora o desemprego jovem continue acima dos 15%. A inflação, por sua vez, aumentou moderadamente para 2,3%, enquanto a taxa de pobreza recuou de 53,8% para 51,2%.

O Banco Mundial destaca ainda a melhoria da posição externa do país. As reservas internacionais atingiram um nível recorde de 975 milhões de euros, equivalente a 7,1 meses de importações projetadas, enquanto as exportações de serviços chegaram a 30,5% do PIB e as remessas dos emigrantes representaram 10,3%.

Apesar dos resultados positivos, o relatório chama a atenção para a forte dependência do turismo, setor que permanece concentrado sobretudo nas ilhas do Sal e da Boa Vista e dependente, em larga medida, dos mercados europeus. Segundo o Banco Mundial, 93% das chegadas turísticas têm origem na Europa, o que deixa Cabo Verde exposto a eventuais choques económicos ou geopolíticos naquele continente.

Outro dos principais constrangimentos identificados é a fraca conectividade interilhas. Os elevados custos e a reduzida fiabilidade dos transportes aéreos e marítimos domésticos dificultam a integração dos mercados, encarecem a atividade económica e limitam a diversificação do turismo e o desenvolvimento de cadeias de valor nacionais.

Para o Banco Mundial, melhorar as ligações entre as ilhas é fundamental para que os benefícios do crescimento económico possam chegar de forma mais equilibrada a todo o arquipélago, criando oportunidades para setores como agricultura, pescas, logística e serviços.

O organismo prevê, entretanto, uma desaceleração do crescimento para 4,8% em 2026, refletindo, entre outros fatores, os efeitos indiretos do conflito no Médio Oriente e a normalização da economia no período pós-pandemia. A médio prazo, o crescimento deverá estabilizar em torno de 5,1%.

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