A implementação do alargamento do horário escolar na Boa Vista está a dividir opiniões. Enquanto a Educação assegura que ainda está a preparar as condições para o projeto-piloto, professores alertam para o risco de sobrecarga e para a falta de respostas sobre como a medida será executada
A professora Izilda Varela é particularmente crítica em relação à iniciativa anunciada pelo ministério da Educação para o ano letivo 2026/2027. Em declarações à Agência Inforpress, considera que os docentes ainda não dispõem de informações suficientes sobre o funcionamento do projeto e teme que a medida venha a agravar a carga sobre os professores.
“O Ministério fala no projeto-piloto, mas não explica como vai funcionar na prática”, afirmou a docente, lembrando que os professores já enfrentam “desgastes físicos e psicológicos enormes”.
Izilda Varela rejeita, sobretudo, a possibilidade de a responsabilidade pelo acompanhamento dos alunos fora do horário letivo recair essencialmente sobre os professores. “Esta responsabilidade não pode ser atirada para as costas do professor”, defendeu.
A docente questiona igualmente as condições físicas existentes nas escolas da ilha, sobretudo nos estabelecimentos que funcionam em dois turnos, como a Escola Nova. Para Izilda Varela, é necessário esclarecer onde decorrerão as atividades e garantir uma articulação efetiva com instituições parceiras para assegurar a componente extracurricular do projeto.
Educação fala em diagnóstico e preparação
A nova delegada do ministério da Educação na Boa Vista, Clara Barros, adota uma posição mais cautelosa e garante que o projeto ainda se encontra numa fase de diagnóstico e preparação logística.
Segundo disse, as equipas locais estão a identificar espaços e infraestruturas que possam ser adaptados, ao mesmo tempo que procuram estabelecer parcerias com entidades e profissionais capazes de apoiar a execução das atividades.
Clara Barros avançou que os detalhes sobre a implementação do projeto-piloto na ilha deverão ser conhecidos em breve.
Pais veem oportunidade, mas exigem condições
Entre os pais, a medida é recebida com expetativa. O encarregado de educação e ativista comunitário Jair Mendes considera o alargamento do horário “excelente”, sobretudo numa ilha onde muitos pais trabalham durante longas horas e por turnos. Ainda assim, alerta que o sucesso da iniciativa dependerá das condições criadas.
“O senão é a logística. Para acolher uma criança além do horário normal, é preciso ter estruturas físicas adequadas e pessoas preparadas. Não se pode implementar uma medida destas à pressa”, defendeu.



