Visto de fora, à distância das paixões próprias de uma disputa eleitoral, o resultado das eleições de domingo no Brasil deixa algumas mensagens que merecem atenção.
A primeira é evidente: o Brasil continua politicamente dividido. Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos e Lula da Silva 45,16%. Uma diferença relativamente pequena num país com mais de 158 milhões de eleitores habilitados. Nenhum conseguiu ultrapassar os 50%, e a decisão ficou para o próximo dia 25 de outubro.
Mas seria redutor olhar apenas para a presidência. O voto de domingo escolheu também governadores, senadores e deputados e redesenhou as relações de força no Congresso. É aí que estará uma das questões fundamentais do Brasil pós-eleições: quem governar terá de dialogar e construir maiorias num sistema político em que o Congresso possui enorme peso.
Outro dado que chama a atenção de quem acompanha o país de longe é a persistência de dois grandes campos políticos capazes de mobilizar dezenas de milhões de brasileiros.
Mudam candidatos, alianças e circunstâncias, mas a polarização que tem marcado a política brasileira nos últimos anos permanece muito presente.
Há, porém, algo igualmente importante a destacar: a dimensão democrática do processo.
Num país continental, milhões de cidadãos foram chamados a escolher, no mesmo dia, presidente, governadores, senadores e deputados, num processo que o Tribunal Superior Eleitoral considerou concluído com tranquilidade.
Agora começa outra eleição.
No próximo dia 25 de outubro, o Brasil terá de escolher entre Flávio Bolsonaro e Lula da Silva. Mais do que uma segunda volta entre dois candidatos, será o momento de saber que direção a maioria dos brasileiros pretende dar ao país nos próximos quatro anos.
Para quem observa de fora, talvez seja essa a principal conclusão da primeira volta: o Brasil votou, mas ainda não decidiu.





