Brockton impõe recolher obrigatório no dia do jogo Cabo Verde–Argentina

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O presidente da Câmara de Brockton, Moises Rodrigues, de origem cabo-verdiana, decretou recolher obrigatório para esta sexta-feira, dia do jogo entre Cabo Verde e a Argentina, após os incidentes registados nas celebrações dos jogos anteriores

A cidade de Brockton, no estado norte-americano de Massachusetts, onde vive uma das maiores comunidades cabo-verdianas dos Estados Unidos, terá recolher obrigatório hoje, dia do jogo entre Cabo Verde e a Argentina no Mundial FIFA 2026.

A medida foi anunciada pelo presidente da câmara, Moises Rodrigues, após os episódios de violência registados durante as celebrações dos jogos anteriores da seleção cabo-verdiana.

O recolher vigorará entre as 22h00 de sexta-feira e as 05h00 de sábado. Segundo a estação WBUR, os incidentes anteriores provocaram nove pessoas baleadas ou esfaqueadas, além de vários feridos e detenções.

1 COMENTÁRIO

  1. As recentes medidas do Mayor de Brockton, trazem à tona uma reflexão necessária e dolorosa sobre os rumos da nossa emigração. Historicamente, as comunidades cabo-verdianas na diáspora — seja na Europa ou nos Estados Unidos — construíram um legado invejável. Fomos, durante décadas, sinónimo de resiliência, honestidade, discrição e uma ética de trabalho irrepreensível. Esse respeito foi conquistado a pulso pelos nossos antepassados. Contudo, assiste-se hoje a uma mudança preocupante no perfil de quem emigra. O descontentamento crescente nos países de acolhimento não nasce do preconceito gratuito, mas sim do choque com a falta de civismo, de educação e de respeito pelas normas de convivência social por parte de uma nova vaga de migrantes.
    O maior perigo social reside na ascensão de um materialismo desprovido de base moral: o acesso fácil ao consumo ou ao dinheiro, quando não acompanhado por uma formação cívica e de “berço”, gera arrogância e incapacidade de integração. Quando o comportamento individual ignora o respeito coletivo, destrói-se a reputação que uma nação inteira levou gerações a edificar. É urgente resgatar os valores da nossa identidade para que o emigrante cabo-verdiano continue a ser motivo de orgulho e um exemplo de cidadania onde quer que esteja.

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