Manifestação contra cortes orçamentais, aumento de impostos e alterações salariais reuniu dezenas de milhares de pessoas na capital belga. Confrontos com a polícia, detenções e cancelamento de voos marcaram a jornada
A capital da Bélgica, Bruxelas, viveu na manhã desta sexta-feira, 9 de outubro, momentos de forte tensão, com confrontos entre manifestantes e forças policiais, durante uma jornada nacional de protesto contra as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo do primeiro-ministro Bart De Wever.
Cerca de 30 mil pessoas, segundo estimativas policiais, participaram na mobilização convocada pelas principais centrais sindicais belgas, contestando os cortes na despesa pública, o agravamento dos impostos e as alterações previstas no sistema de atualização automática dos salários.
Os protestos degeneraram em confrontos nas imediações da Estação Central de Bruxelas, onde grupos de jovens encapuzados lançaram pedras, garrafas e engenhos pirotécnicos contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo e canhões de água. Foram registadas detenções e incêndios em equipamentos urbanos.
As organizações sindicais distanciaram-se dos atos violentos, sublinhando que a manifestação principal decorreu pacificamente.
O que motivou os protestos?
Na origem da contestação estão as propostas do Governo belga para reduzir o défice público, estimado em cerca de 33 mil milhões de euros, através de medidas que incluem o eventual aumento do IVA de 21% para 22%, restrições à atualização dos salários e pensões, alterações nos horários de trabalho e cortes nos serviços públicos.
Os sindicatos consideram que estas medidas penalizam sobretudo trabalhadores, reformados e famílias de menores rendimentos, já confrontados com o aumento do custo de vida. Em alternativa, defendem uma maior tributação dos rendimentos mais elevados.
A paralisação afetou os transportes públicos, escolas e outros serviços, provocando igualmente o cancelamento de cerca de 140 voos no aeroporto de Bruxelas.
O Governo, por sua vez, sustenta que os ajustamentos são necessários para controlar a dívida pública e assegurar a sustentabilidade das finanças nacionais.
A tensão social deverá prosseguir na próxima segunda-feira, 12 de outubro, com uma nova jornada de greve nos serviços públicos.





