Buscas/Praia. Óscar Santos diz-se tranquilo e sereno e denuncia “desinformação” de Santiago Magazine

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Antigo Autarca da Capital diz-se surpreso com notícia que apontava para buscas na sua residência, por ordem judicial, e estranha que jornal antecipa este cenário

Uma notícia veiculada pelo online Santiago Magazine, apontava para a possibilidade de uma busca à residência de Óscar Santos, nesta segunda-feira.

Face a isto, OPAÍS.cv ouviu o antigo Presidente da Câmara Municipal da Praia que começou por mostrar-se tranquilo e sereno, com tal possibilidade, dizendo aceitar “com naturalidade” que a sua residência possa ser objeto de busca, se for esta a decisão das autoridades judiciais, no entanto, Óscar Santos diz desconhecer qualquer mandato neste sentido, e enfatiza acreditar na Justiça.

Mesmo registando o fato de não ter havido quaisquer buscas nas residências dos outros indiciados, o antigo Autarca avança que a busca domiciliária é uma “ferramenta normal” que a Justiça usa para “apurar a verdade” num Estado de Direito.

E exemplificou com o caso os Estados Unidos, País mais poderoso do mundo, em que as residências do Presidente e do ex-Presidente foram também objetos de buscas, ou com Portugal, onde aconteceu recentemente esse tipo de diligência nas residências do ex-Primeiro-Ministro, António Costa, e do ex-Presidente do PSD e da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio.

Segundo consta, Óscar Santos está sendo suspeito de ter pago à empresa Elevo Evolution por obras de asfaltagem não executadas.

Sobre este pormenor, Óscar Santos é peremptório e pergunta: “o bairro de Palmarejo foi ou não asfaltado desde a rotunda de Braz de Andrade até Calu e Ângela? A rua principal da Várzea até o cemitério não foi asfaltada? Da Enacol à entrada de Cidadela, e interior desta, várias ruas não receberam a primeira camada de asfalto? No Platô, Praça de Liceu Domingos Ramos, largo do Hospital, Rua de Ténis, Rua dos Correios, as ruas que ligam o BCA à Presidência da República não foram asfaltadas?”.

Segundo nos respondeu, estas provas “são públicas e notórias, e podem ser observadas por qualquer um”.

Segundo o ex-Edil “é injusto assistir à difamação de uma equipa que mais trabalhou na requalificação da Cidade e às recorrentes ofensas ao seu legado, quando hoje há consenso generalizado quanto ao estado de bagunça e desordem reinante na Cidade da Praia, um pouco por todo o lado”.

Por outro lado, o antigo Autarca denuncia a “desinformação” de Santiago Magazine quanto à ordem de pagamento irrevogável, e vai dizendo que está a haver “manipulação” da opinião pública.

“Outra desinformação do jornal Santiago Magazine tem a ver com a ordem de pagamento irrevogável emitida e que está sendo usada para confundir a opinião pública, pois, ordem irrevogável é uma simples forma de pagamento que também funciona como garantia”, explicou nas declarações ao OPAÍS.cv.  E exemplifica: “quando um banco concede um empréstimo à habitação a um cliente, exige a domiciliação da conta no próprio banco e autorização para o desconto dos serviços da dívida na conta do cliente”, isto como forma de garantia de cumprimento da obrigação. “Todos os bancos fazem isso como reforço da garantia de pagamento. É coisa corriqueira em relações entre credores e devedores”, sustenta.

Acrescenta que “não teme” qualquer busca à sua residência, até porque “seria bom para a clarificação das coisas, para a descoberta da verdade dos tribunais, não de interesseiros apostados em emporcalhar o nome das pessoas”.  E remata: “durante quase 4 anos tivemos um Presidente que não fez outra coisa senão acusar a anterior gestão de corrupção. Estamos a falar de um Presidente do maior Município de Cabo Verde que, para esconder as suas fragilidades, usa o populismo como arma de arremesso e a difamação como técnica de anular os adversários, reais ou imaginários”.

A finalizar, Óscar Santos pergunta quem não se lembra do conflito que abriu a gestão de Francisco Carvalho logo que este iniciou as funções, à frente do Município da Praia, relativamente ao campo de ténis, pondo em risco investimentos na ordem dos 400 milhões de Dólares Norte-americanos na Cidade da Praia, o conflito com a Associação Nacional dos Municípios no âmbito da retoma dos trabalhos do PRRA, da recusa em receber o Primeiro-Ministro do País, nos Paços do Concelho, quando este programou uma visita à Cidade da Praia; quando se insurgiu contra o ex-Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, quando este recebeu em audiência os lavadores de carro da Cidade da Praia, entre outros.

“É do domínio público que o atual Presidente da Câmara Municipal da Praia insulta tudo e todos, mesmo os camaradas da mesma equipa camarária, apelidando-os de corruptos, tentando passar a imagem de um homem impoluto. Enfim, a lista é enorme”, observa Santos, lembrando que pelo caminho, Francisco Carvalho tem sido abandonado por muitos que passaram a conhecer “o seu verdadeiro caráter e incompetência”.

“Estou mesmo muito tranquilo, pois sei que no fim a verdade virá sempre ao de cima. É como azeite”, concluiu.