O arquipélago enfrenta uma fragilidade na participação cívica, com o país a ocupar a 115.ª posição mundial neste indicador no Global State of Democracy 2026, da International IDEA
Cabo Verde mantém uma posição sólida no panorama democrático internacional, mas apresenta uma fragilidade significativa na participação dos cidadãos na vida pública. É uma das principais conclusões do Global State of Democracy 2026, da International IDEA, que coloca o país no 38.º lugar mundial em Representação, mas apenas na 115.ª posição em Participação.
O relatório, que analisa 173 países, atribui a Cabo Verde um desempenho elevado na dimensão da Representação e intermédio em Direitos, Estado de Direito e Participação. Nos Direitos e no Estado de Direito, o arquipélago ocupa, em ambos os casos, o 52.º lugar.
A principal vulnerabilidade surge na participação política e cívica. Segundo a International IDEA, Cabo Verde apresenta um baixo nível de envolvimento dos cidadãos, figurando entre os 25% de países com pior desempenho mundial nesse indicador.
O relatório traça, assim, o retrato de uma democracia em que as instituições eleitorais e a representação política funcionam relativamente bem, mas onde existe dificuldade em manter os cidadãos envolvidos na vida pública entre os períodos eleitorais.
A International IDEA aponta ainda a participação política e o acesso à Justiça como áreas que devem ser acompanhadas nos próximos anos. O organismo identifica igualmente níveis elevados de desconfiança nas instituições democráticas e a lentidão do sistema judicial como desafios para o país.
Outro aspeto destacado é a deterioração do indicador de Parlamento Eficaz em relação a cinco anos antes, o que poderá traduzir uma menor capacidade do poder legislativo para exercer a fiscalização sobre o Executivo.
Entre os países lusófonos, Portugal apresenta um desempenho superior ao de Cabo Verde nas quatro dimensões avaliadas, enquanto o Brasil se destaca sobretudo na Participação, ocupando o 13.º lugar mundial, contra a 115.ª posição cabo-verdiana.
Entre os países africanos de língua portuguesa, Cabo Verde apresenta resultados significativamente melhores do que Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. A Maurícia aproxima-se do arquipélago na Representação, ocupando o 37.º lugar, mas apresenta um desempenho muito superior na Participação, onde está na 18.ª posição.
O relatório coloca, desta forma, um desafio para Cabo Verde: transformar a qualidade da representação política e a estabilidade institucional num maior envolvimento dos cidadãos na vida democrática.
Apesar da posição favorável no contexto africano e lusófono, os dados da International IDEA indicam que o reforço da participação cívica, da confiança nas instituições e da fiscalização política será determinante para a consolidação democrática do país nos próximos anos.





