País alcançou 0,9 no índice de poliarquia, um dos valores mais altos da região, refletindo progressos desde a transição para o multipartidarismo em 1991
Cabo Verde voltou a ser destacado no Relatório da Democracia 2025, publicado pelo Instituto Variedades da Democracia (V-Dem), mantendo-se como uma das democracias mais sólidas do Continente Africano.
O País alcançou 0,9 no índice de poliarquia, um dos valores mais altos da região, refletindo progressos desde a transição para o multipartidarismo em 1991.
O relatório alerta, no entanto, para sinais de desgaste, nomeadamente na componente deliberativa e participativa da democracia. A participação eleitoral tem vindo a cair: de 75,3% em 2011 para 57,5% em 2021 nas legislativas, e apenas 35,5% dos eleitores votaram nas presidenciais de 2016.
Outro ponto crítico é a persistência de desigualdades no acesso a serviços públicos e oportunidades de emprego, bem como a desigualdade de género, com homens a beneficiarem de maior acesso à justiça e ao setor empresarial.
83,8% dos Cabo-verdianos continuam a considerar a democracia a melhor forma de governo.
No contexto da CPLP, Cabo Verde apresenta um desempenho superior a países como São Tomé e Príncipe — que enfrenta maior instabilidade política — e posiciona-se muito acima de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, classificados como regimes autoritários.
O relatório conclui que o grande desafio do País é aumentar a participação cívica e reforçar a confiança dos cidadãos para consolidar os ganhos das últimas três décadas.


