Cabo Verde não é um país de nabos

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Ou Francisco Carvalho está a ser muito mal aconselhado… ou acredita sinceramente que os cabo-verdianos são ingénuos e acreditam em qualquer narrativa de vitimização.

Porque o que está a fazer é gravíssimo.

Dizer publicamente que está a ser “perseguido pelo poder judicial”, sem apresentar um único facto concreto, não é apenas uma crítica política. É um ataque frontal ao sistema judicial de Cabo Verde.

Significa insinuar que juízes e procuradores da República podem ser manipulados pelo poder político.

Pergunta simples, direta e inevitável: Francisco Carvalho acredita que todos os juízes e todos os procuradores de Cabo Verde são manipuláveis? Acredita que são frágeis ao ponto de obedecer a ordens políticas? Porque é exatamente isso que essa narrativa implica. E há um facto que nunca é explicado ao país.

As denúncias que originaram as investigações não vieram do MpD. Vieram de antigos vereadores, colaboradores e responsáveis ligados ao próprio universo político de Francisco Carvalho.

Mesmo assim, a narrativa continua a ser sempre a mesma:

— a culpa é do Governo

— a culpa é do MpD

— a culpa é do sistema

Mas factos concretos de perseguição política? Nenhum.

E é aqui que o país precisa parar e refletir seriamente.

Porque quando um líder político começa a desacreditar sistematicamente a justiça sempre que é investigado, isso não é apenas defesa política. Isso é minar a confiança nas instituições do Estado.

E a história do mundo mostra exatamente como esse processo começa.

Primeiro cria-se a narrativa de perseguição. Depois desacredita-se a justiça. Depois desacreditam-se as instituições.

E finalmente aparece o discurso perigoso de que “o sistema inteiro está contra o líder”.

Foi assim em muitos países. E os resultados nunca foram bons para a democracia.

Cabo Verde lutou demasiado para construir o que hoje tem.

Temos uma Constituição sólida. Temos separação de poderes. Temos magistraturas independentes.

Nada disso nasceu por acaso. Podemos criticar governos. Podemos discordar de políticas. Podemos exigir mais resultados. Mas inventar perseguições sem provas e lançar suspeitas sobre todo o sistema judicial é brincar perigosamente com a estabilidade institucional do país.

E neste momento os cabo-verdianos precisam perceber algo muito claro. No dia 17 de maio não está apenas em causa uma eleição. Está em causa o tipo de discurso político que queremos para Cabo Verde.

Um discurso que respeita as instituições… ou um discurso que tenta desacreditá-las sempre que a justiça funciona.

Porque quando um país começa a destruir a confiança nas suas próprias instituições, o preço que paga depois é sempre muito alto.

E a verdade é esta: Cabo Verde não é um país de nabos.

E os cabo-verdianos sabem muito bem distinguir factos de narrativas.

1 COMENTÁRIO

  1. Ironicamente equivocado Sr. FCarvalho!
    È um desastre ecológico para CV se este homem ganhar as eleições legislativas

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