Pensei que o resgate da concessão, para simplificar a linguagem, do Mega Projeto Djeu e Gamboa seria motivo de contentamento, por duas razões básicas, mas fundamentais:
- A autoridade do Estado funcionou em defesa do interesse geral. O órgão de soberania, enquanto ente superior do governo do Estado – o Governo cumpriu com a sua missão constitucional. Afinal, Cabo Verde não é uma República “fatela”.
- Trata-se de uma oportunidade para repensar o projeto em todas as suas dimensões, no respeito pela ideia de construção de cidades resilientes, inteligentes e cada vez mais humanizadas. Escrevi aquando do lançamento do Mega projeto que a Cidade tinha entrada numa dinâmica de “radicalização urbana”. Hoje, com o resgate da concessão, com outros olhos de ver as cidades e com os novos avanços tecnológicos, Cabo Verde pode fazer do Djeu e do que resta da faixa litoral marítima de Gamboa uma área urbana de elevado padrão, seguindo as melhores práticas do mundo de ordenamento do litoral marítimo.
Fiquei contentíssimo ao ouvir da boca do Primeiro Ministro Ulisses Correia e Silva que não vão ser levantadas construções no ilhéu. Uma consequência positiva do resgate da concessão porque vai permitir a reconversão do uso do solo, pelo que espero que o Governo devolva ao Djeu o estatuto de reserva natural. Associada a esta medida será preservada também a memória sanitária, é que os edifícios existentes serviram de apoio ao isolamento dos leprosos. O Djeu poderá ser um museu aberto sobre a história do Homem cabo-verdiano, da baía de Santa Maria da Vitória, da Cidade da Praia e do mundo. Djeu desempenhou muitas funções.
O Arquiteto Nuno Marques que tanto lutou pela preservação do Djeu deve estar contente com a nova janela de oportunidade que se abriu com o resgate da concessão.
Ingenuamente pensei que ao ponto de maturidade institucional a que chegamos o nossa concentração e energia seriam canalizadas para o essencial!
Felizmente, o “tempo de antena” dos factos políticos em Cabo Verde tem a duração da flor “di cardisanto”.
O bom senso e o apaziguamento do tempo politico mostrarão que o resgate da concessão é uma oportunidade e não o “chão” para disputas políticas estéreis!



O meu bom amigo Jacinto Santos escreveu sobre o que não está em causa e esqueceu-se do que está em causa. Flor di kardisantu ta fri sima verdaderu razon.
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