Testes realizados entre maio e setembro de 2024, a cerca de 150 metros de profundidade, foram pescados espécies de “grande porte e sem impacto ambiental visível”
O Diretor Nacional da Pesca e Aquacultura, DNPA, Carlos Monteiro, destacou os resultados promissores da pesca experimental com Palangre de Fundo, uma técnica que vem demonstrando ser eficiente e sustentável. Em 6 meses, foram capturadas cerca de 28 toneladas de peixe com barcos de pequeno porte, a uma profundidade de 150 a 200 metros.
De acordo com o DNPA, os dados obtidos indicam que a prática pode ser uma excelente opção para explorar os recursos marinhos de profundidade em Cabo Verde, permitindo um melhor entendimento das potencialidades ainda pouco exploradas do nosso mar. A técnica foi testada com sucesso nas costas das Ilhas de São Vicente e Santo Antão, sendo considerada uma modalidade de pesca sustentável.
Em entrevista ao OPAÍS.cv, Carlos Monteiro revelou que a fase experimental mostrou resultados positivos, evidenciando que existem todas as condições para expandir a prática no País. “A nossa intenção é que em cada Ilha possamos atribuir duas a três licenças, criando um quadro regulamentado para o desenvolvimento sustentável desta nova modalidade de pesca em Cabo Verde”, sustenta o Diretor Nacional
Sr. Diretor Nacional, que dados são apresentados esta terça-feira no Mindelo sobre a pesca experimental com Palangre de Fundo na costa de São Vicente e Santo Antão?
Carlos Monteiro – Estamos a apresentar o balanço de uma nova arte de pesca, inovadora e já utilizada em regiões como as Canárias, Madeira e Açores. Trata-se de uma técnica que visa potenciar os recursos marinhos de profundidade e ajudar a perceber melhor as potencialidades sub-exploradas do nosso mar.
Demos início a esta experiência ao conceder uma licença experimental a um operador privado, com o objetivo de promover a diversificação como estratégia de resiliência e dinamismo no setor das pescas em Cabo Verde.
Feita esta experimentação, a prática vai ser adotada doravante em Cabo Verde?
Os resultados desta experiência são francamente positivos e muito animadores. Além de ser inovadora, trata-se de uma técnica de pesca costeira que exige pouco esforço em termos de navegação.
Em seis meses, foram capturadas cerca de 28 toneladas com embarcações de pequeno porte, o que mostra que temos recursos de profundidade com alto valor comercial, tanto para o mercado nacional como para exportação. Isto reforça que Cabo Verde pode, de facto, apostar nesta modalidade.
E quanto à licença experimental? Ela foi válida por um ano, mas os dados referem-se apenas a seis meses. Esses resultados sustentam o uso da técnica no País?
Sem dúvida. A pesca foi feita a cerca de 150 metros de profundidade, capturando espécies de grande porte e sem impacto ambiental visível. Além disso, não houve captura de exemplares juvenis, o que é extremamente positivo do ponto de vista da sustentabilidade.
Esta experiência teve também um papel pedagógico, pois permite mostrar aos armadores nacionais que é possível pescar de forma diferente e mais eficiente. A inovação e o conhecimento devem ser os pilares da nova visão para o setor das pescas.
A DNPA admite conceder este mesmo tipo de licença a outras empresas/pessoas para este tipo de pesca a nível nacional?
Sim.
A fase experimental mostrou que existem todas as condições para avançar com licenças comerciais, sempre com o devido controlo e numa perspetiva de sustentabilidade. As instituições de investigação irão acompanhar de perto a evolução da atividade, de forma a garantir boas práticas e recolha contínua de dados. Esperamos que o setor privado abrace esta oportunidade, que pode gerar emprego tanto no mar como em terra.
A nossa intenção é que em cada Ilha possamos atribuir duas a três licenças, criando um quadro regulamentado para o desenvolvimento sustentável desta nova modalidade de pesca em Cabo Verde.
O que são, afinal, Palangres de Fundo?
É uma técnica que consiste no uso de longos cabos com vários anzóis, lançados ao mar com boias na superfície e afundados a profundidades entre os 150 e os 200 metros. O equipamento permanece cerca de 12 horas no mar antes de ser recolhido com auxílio de um guincho. É uma técnica eficaz e versátil, que pode usar diferentes tipos de isco.


