No Dia Mundial da Tuberculose, ontem, 24, Cabo Verde destacou os avanços significativos no combate à doença infeciosa e contagiosa que afeta principalmente os pulmões
Com tratamento gratuito, medicamentos de primeira linha e capacidade de diagnóstico rápido disponível em grande parte do território, o País tem mantido a estabilidade no número de casos registados nos últimos anos.
Em 2024 foram registados 157 novos casos de tuberculose, uma redução em relação aos 196 casos notificados em 2023. A maioria dos doentes encontra-se na faixa etária dos 30 e aos 40 anos.
A pneumologista Ofélia Monteiro, entrevistada no âmbito da efeméride, considera que o País dispõe de capacidade de deteção precoce da doença. Segundo a especialista, Cabo Verde utiliza desde 2012 o teste molecular, que permite obter resultados em apenas duas horas, o que representa um avanço importante no diagnóstico da tuberculose.
Cobertura nacional ainda em expansão
De acordo com a médica, Brava e São Nicolau ainda não possuem capacidade de diagnóstico através deste método. Já Santiago e São Vicente concentram cerca de 75% dos casos registados a nível nacional, indicou. Monteiro referiu ainda que existe uma evolução gradual na diminuição dos casos, o que está associado ao acesso da população aos cuidados de saúde e à informação.
A especialista defende a realização de um inquérito de prevalência nacional, com o objetivo de aferir se os casos atualmente diagnosticados representam a maioria dos existentes no País. Sublinhou também a importância de reforçar a busca ativa de doentes — ou seja, a identificação de casos antes da procura por cuidados médicos — como estratégia complementar à busca passiva, hoje predominante.
Tratamento gratuito e eficaz
A médica destacou que o tratamento da tuberculose em Cabo Verde é gratuito, fornecido com medicamentos de primeira linha. O País, segundo Monteiro, não depende de ajudas externas para tratar a doença, o que constitui um ganho relevante em matéria de autonomia no setor da saúde.
O tratamento dura em média seis meses, e a resposta dos pacientes tende a ser rápida. “Ao fim de dois, três dias, a pessoa começa a sentir uma melhoria”, explicou. Contudo, frisou que é essencial que o tratamento seja cumprido na íntegra.
Tuberculose: sintomas e alerta
Os sintomas mais comuns incluem tosse persistente, febre ao final do dia (febre vespertina), perda de apetite, emagrecimento e, em casos mais prolongados, sangue ao tossir. Embora esses sinais não sejam exclusivos da tuberculose, a médica referiu que a sua presença justifica investigação para descartar ou confirmar a doença, inclusive nas suas formas multirresistentes.
Ofélia Monteiro anunciou ainda que um novo protocolo nacional de combate à tuberculose está concluído e será divulgado em maio deste ano.
Com TCV


