Cabo Verde vai aplicar poupança da dívida em “transformações estruturais”

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Primeiro-Ministro espera que posição de Portugal possa provocar um “contágio positivo” em outros credores, nomeadamente institucionais

Cabo Verde vai aplicar os valores da poupança da dívida junto dos credores nacionais em “transformações estruturais”, indicou o Primeiro-Ministro que congratula-se com a decisão de Portugal de renovar as moratórias com o nosso País. Ulisses Correia e Silva aponta que as autoridades Cabo-verdianas vão aplicar os valores da poupança em setores como transição energética, economia digital, desenvolvimento do capital humano, economia azul, e viabilização da agricultura através da dessalinização da água.

“Aquilo que nós vamos poupar relativamente ao pagamento da dívida será depois aplicado para transformações estruturais”, precisou em entrevista à Agência Lusa, na Cidade da Praia.

Quanto à decisão de Portugal, de renovar as moratórias com Cabo Verde, o Chefe do Governo classificou a medida como “boa notícia”, que vem na sequência das negociações entre os dois países “há algum tempo”, e espera que esta posição de Portugal possa provocar um “contágio positivo” em outros credores, nomeadamente institucionais.

“O alívio da dívida externa faz todo o sentido neste período de pandemia, em que Cabo Verde e vários países foram obrigados a custos excecionais para proteção à saúde, ao emprego, às famílias e para além disso a contração económica provocou uma quebra importante da riqueza e o peso da dívida aumenta por causa disso”, sustentou, para de seguida garantir que o pacote de alívio da dívida externa será concluído brevemente e será um dos elementos de financiamento futuro das transformações estruturais.

Segundo dados do relatório da dívida pública do quarto trimestre de 2020, divulgado em abril, o ‘stock’ da dívida pública de Cabo Verde cresceu 13.654 milhões de Escudos, em 2020, devido às consequências da pandemia, passando a ter um peso de 151,3% do PIB, contra os 124,1% em 2019.

No final de 2020, a dívida contraída externamente por Cabo Verde valia mais de 184.536 milhões de Escudos e os títulos de dívida emitidos internamente mais de 71.380 milhões de Escudos, de acordo com o mesmo relatório.

Cabo Verde tem recorrido ao endividamento, sobretudo a parceiros externos, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial ou Banco Africano de Desenvolvimento, para colmatar as quebras nas receitas fiscais provocadas pela crise económica decorrente da pandemia da Covid-19, bem como para disponibilizar apoios para mitigar essas consequências junto das empresas e das famílias.

Em contrapartida, tem também beneficiado de moratórias ao serviço da dívida, aprovada pelos credores internacionais para 2020 e 2021.

2 COMENTÁRIOS

  1. Faz todo o sentido Portugal ter esse gesto conosco. A retaguarda portuguesa, a EU, saiu em defesa dos seus membros e Portugal vai receber uma pipa de massas que o AC primeiro ministro, apelidou de Bazuca. Nós, os coitados Cabo-verdianos temos de tomar por via de Portugal pelo menos o gesto de empurrar a dívida com a barriguinha… a dimensão do nosso tamanho. Pelo que escutei pela Comunidade Social também Moçambique e Brasil foram contemplados, mas esses a história é outra: são ricos, demasiadamente ricos que não precisavam disso se tivessem juízo. Vi pela televisão o embaraço ontem do PR a falar da dívida cabo-verdiana e a necessidade de medidas para a interromper: caso para se dizer ao Chefe… então chefe como fazer isso se deixou a situação como esta?

  2. Investir na pesca oceânica e deixar a agricultura com água dessalinizada para daqui a uns dez anos. Com as divisas obtidas com a exportação do pescado vamos comprar todos os produtos agrícolas que necessitamos e a melhor preço.

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