Câmara do Porto Novo acusada de inércia, má gestão e conflito com o Governo

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O Conselho Regional do MpD em Santo Antão e a Comissão Política Concelhia do Porto Novo acusaram ontem, em conferência de imprensa, a Câmara Municipal local, liderada por Elisa Pinheiro (PAICV), de “inércia”, “má gestão” e de ter escolhido um caminho de confronto com o Governo, em vez de trabalhar em parceria para resolver os problemas do município.

Segundo os dirigentes do MpD, é “falsa” a acusação de que o Governo estaria a competir com a autarquia na implementação do plano de ação pós-chuvas. Pelo contrário – garantem – a própria presidente da Câmara tentou “apoderar-se do plano” e exigir “mais de 133 mil contos” para despesas de funcionamento e pagamento de contratações políticas.

Compromissos do Governo

A conferência detalhou que, após os estragos provocados pelas chuvas, o Governo, através do Ministro do MIHOT, comprometeu-se com:

  • 2 mil contos imediatos para reparações urgentes em estradas de Chã de Norte, Planalto Norte, Ribeira dos Bodes e outras vias;
  • 14 mil contos adicionais para reforço de intervenções em pontos críticos, como a estrada Ribeira da Cruz–Chã de Norte;
  • 184 mil contos destinados ao Porto Novo, no quadro dos 225 mil contos para Santo Antão, abrangendo setores como agricultura, água, energia, saneamento, habitação social, escolas e estradas.

Críticas à gestão municipal

O MpD acusa a Câmara de:

  • Desleixo por não reparar “há quase dois meses” buracos nas vias urbanas da cidade, criando transtornos à circulação;
  • Má afetação de recursos, alegando que mais de 27 mil contos resultantes do aumento do FFM foram canalizados para “30 camaradas contratados” em vez de obras essenciais;
  • Perseguição política, com despedimentos de funcionários municipais, resultando em processos judiciais e indemnizações;
  • Maus relacionamentos institucionais, dificultando financiamentos e parcerias.

A oposição local questiona ainda a utilização dos 5 mil contos poupados pela não realização do Festival de Escarrelat e da sessão solene do Dia do Município, assim como do fundo de 5 mil contos alegadamente criado com apoio de emigrantes.

Herdeira de uma gestão “acima da média”

No fecho, os responsáveis do MpD afirmaram que Elisa Pinheiro “herdou uma gestão camarária num patamar bastante elevado” e que tem a obrigação de manter ou superar esse nível. “Que chore e fale menos, que trabalhe mais. Foi para isso que os portonovenses lhe deram o voto de confiança”, remataram.