Candidatos presidenciais apresentam propostas sobre descentralização, CEDEAO e oficialização do crioulo

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Os candidatos presidenciais às eleições de 2026, Casimiro de Pina, Gilson Alves, Joana Rosa e Loisito de Sousa, estiveram frente a frente no segundo debate, transmitido pela TCV e pela RCV

Os quatro candidatos à Presidência da República que participaram, na noite de ontem, no segundo debate transmitido pela TCV e RCV defenderam diferentes caminhos para a descentralização do país, a integração de Cabo Verde na CEDEAO e a valorização da língua cabo-verdiana. Casimiro de Pina, Gilson Alves, Joana Rosa e Loisito de Sousa estiveram frente a frente, num debate marcado também por críticas à ausência de José Maria Neves.

Descentralização: entre a regionalização e a autonomia das ilhas

Sobre a descentralização, Casimiro de Pina defendeu uma discussão técnica e aprofundada sobre os modelos possíveis, considerando que o processo deve contribuir para reduzir as desigualdades entre as ilhas e aproximar os serviços públicos dos cidadãos. O candidato sublinhou que a descentralização deve ser entendida como uma dinâmica de liberdade e não apenas como uma questão administrativa.

Joana Rosa defendeu o reforço dos poderes das regiões e dos municípios, com maior proximidade entre as decisões políticas e as necessidades das populações. A candidata considerou que o Presidente da República pode ter um papel de influência na promoção do debate sobre a regionalização.

Gilson Alves apresentou uma proposta de organização federal do país, com ilhas dotadas de maior autonomia e estruturas próprias de governação, defendendo uma revisão constitucional nesse sentido.

Já Loisito de Sousa chamou a atenção para a dupla insularidade e para a necessidade de garantir melhores condições de transporte, acessibilidade e desenvolvimento em todas as ilhas.

CEDEAO: integração, interesses nacionais e identidade africana

No tema da integração regional, os candidatos defenderam posições distintas sobre a presença de Cabo Verde na CEDEAO e a forma como o país deve aproveitar as oportunidades da organização.

Joana Rosa considerou que Cabo Verde deve assumir uma voz mais ativa na defesa dos seus interesses, aproveitando a estabilidade democrática e o Estado de Direito para influenciar positivamente a região. Defendeu ainda uma atenção especial às especificidades do país, nomeadamente no comércio, na mobilidade e na segurança.

Gilson Alves assumiu uma posição de valorização da identidade africana, defendendo uma maior aproximação ao continente e aos países da CEDEAO. O candidato anunciou também a intenção de propor um referendo sobre a atribuição recíproca da nacionalidade cabo-verdiana e guineense.

Loisito de Sousa manifestou-se contra a saída de Cabo Verde da organização, mas defendeu uma reavaliação do protocolo de livre circulação e uma reorganização da participação nacional, com maior capacidade de representação e aproveitamento do mercado regional.

Por sua vez, Casimiro de Pina considerou que a integração não deve ser reduzida ao pagamento de quotas, defendendo que deve assentar numa comunhão de valores, no respeito pelo Estado de Direito, pela democracia e pelos direitos humanos.

Língua cabo-verdiana: oficialização divide candidatos

A oficialização da língua cabo-verdiana foi outro dos temas que marcou o debate, com diferenças quanto ao momento, às condições e ao processo a seguir.

Gilson Alves defendeu claramente a oficialização do crioulo, considerando que Cabo Verde deve assumir e valorizar a sua identidade linguística. O candidato admitiu, contudo, que o processo exige trabalho técnico, formação e uma discussão sobre as diferentes variantes existentes no país.

Loisito de Sousa também se mostrou favorável à oficialização da língua cabo-verdiana em paridade com o português, defendendo que o Estado deve criar as condições necessárias para o desenvolvimento do bilinguismo.

Casimiro de Pina considerou que a matéria deve ser tratada com cautela e sustentada por estudos de especialistas, tendo em conta as diferenças linguísticas entre as ilhas. Para o candidato, é necessário evitar que a discussão provoque divisões em torno da identidade nacional.

Joana Rosa, por sua vez, destacou o crioulo como fator de identidade, união e aproximação dos cidadãos às instituições, defendendo a sua valorização e preservação. Considerou, no entanto, que ainda há um trabalho a realizar antes de avançar com a oficialização.

O debate constituiu o segundo confronto televisivo entre os candidatos presidenciais, sem a participação de José Maria Neves, e de Antero Tavares.

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